Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de Esquerda, esteve em Vila Flor para a sessão de apresentação da candidatura autárquica encabeçada por Marco Carrilho, à Câmara Municipal, e Jóni Ledo, à Assembleia Municipal.

“É verdade que o potencial deste município é enorme e é verdade que está muito desaproveitado”, frisou Marisa Matias, destacando que são necessárias políticas “para as pessoas e com as pessoas. A participação é fundamental! Envolver quem cá vive é fundamental!”

A eurodeputada considerou que muitas das dificuldades sentidas em Vila Flor são partilhadas pelos municípios do interior: dificuldade em fixar as pessoas, em garantir o emprego e a qualidade de vida, o que “é o resultado de políticas sucessivas dos municípios que não têm criado condições para que as pessoas se possam fixar. para que possam ter emprego.”

“Muitos dos poderes que estão instalados nos municípios vivem melhor com esta realidade porque assim serão sempre o maior empregador da região, assim terão sempre as pessoas na mão cheias de medo, sem exercer os seus direitos democráticos em plena liberdade […] assim garantem a eternização do poder”, acrescentou.

Lembrou ainda que os municípios do interior são onde mais se sentem as alterações climáticas e os consequentes fenómenos meteorológicos extremos, defendendo, nesse sentido, que “precisamos mesmo de um projeto sustentável para estes municípios”, que visem uma economia sustentável e por modelos de turismo sustentável.

Marco Carrilho: “precisamos de gente, precisamos de crianças, sem isso não há futuro!”

O candidato à Câmara Municipal, Marco Carrilho, começou por abordar a pandemia, considerando que “mudou todo o panorama económico e social, causando uma crise que durará para lá da pandemia, uma crise que durará anos”, crise essa que é preciso combater, e onde as Câmaras Municipais têm um importante papel, enquanto órgãos de proximidade.

Outra das questões que destacou foi o despovoamento da região. “Vila Flor tem perdido população ao longo das últimas décadas, e acreditem que esse é um dos motivos que me movem e a esta equipa a concorrer à Câmara Municipal”. Sublinhando que são necessárias políticas que tragam pessoas para o interior, “precisamos de gente, precisamos de crianças, sem isso não há futuro!”

Sobre a agricultura, “principal meio de subsistência” do concelho de Vila Flor, com “produtos e produtores de excelência”, Marco Carrilho propõe a criação de “um verdadeiro gabinete de apoio jurídico e organizacional para fornecer toda a informação necessária para que [os produtores] consigam escoar os seus produtos.”

Também lembrou a importância da implementação de uma Zona Industrial, de que estão “à espera há décadas e que pelos vistos chegará em altura de eleições”, da criação de um Centro de Recolha e Proteção Animal Municipal, do alargamento da oferta de habitação social, da recuperação da aldeias, da reformulação do Museu Berta Cabral, e da criação de um Museu da Fruta da Vilariça

Jóni Ledo: “estamos muitas das vezes à frente do nosso tempo, começámos à frente do nosso tempo”

O candidato à Assembleia Municipal, Jóni Ledo, foi eleito deputado municipal pela primeira vez com apenas 19 anos, há 12 anos, desde que o Bloco marcou presença neste órgão em Vila Flor. Fazendo uma análise do trabalho que tem sido desenvolvido, resumiu que “estamos muitas das vezes à frente do nosso tempo, começámos à frente do nosso tempo.”

Lembrou que a primeira proposta que apresentou enquanto deputado municipal foi a alteração do regimento para que as pessoas pudessem falar no início das Assembleias Municipais. Regimento que acabou por ser alterado nesse sentido passados 3 anos.

O Bloco de Esquerda, sublinhou Jóni Ledo, foi também o primeiro a reagir quando encerraram os CTT em Vila Flor. “Nós não nos vergámos, fomos para a rua recolher assinaturas, correr o concelho de ponta a ponta para que isso não fosse uma realidade, tivemos uma atitude pró ativa para com o executivo da Câmara Municipal de Vila Flor, ao contrário de outras forças políticas que não o tiveram. Fomos à luta e o que é certo é que voltou a reabrir esta estação dos CTT, passado cerca de um ano de ter encerrado”.

Outras vitórias conseguidas nestes 12 anos de mandato na Assembleia Municipal foram terminar com o uso de papel nas Assembleias Municipais e a aprovação da gravação das Assembleias Municipais (ainda por concretizar). Foram também aprovadas recomendações à Câmara, por agora ainda “na gaveta”, para que começasse a efetuar o transporte dos doentes oncológicos até ao IPO, bem como para a criação de mecanismos de SOS para pedido de auxílio de idosos em caso de emergência.

Também o cabeça de lista à Assembleia Municipal abordou o despovoamento, num concelho onde se perde população e juventude “a cada ano, a cada dia”. Nesse sentido defendeu a luta contra a precariedade, a começar por quem trabalha no Município, criando maior atratividade para a fixação de pessoas em Vila Flor e combatendo ”a dependência da população”, que “pode beneficiar muito as maiorias que se instalam ano após ano, de quatro em quatro anos, nos concelhos, que em nada beneficia o concelho”.

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