A expressão INTERIOR ao contrário do sentido depreciativo que por norma se lhe atribui, pode ser considerada poética, pois traduz o núcleo, a alma, o sentimento de pertença da comunidade local historicamente fundado no tempo. A construção de uma localidade na história tem elementos e significados que vão identificar se esse povo pertence a uma determinada comunidade ou região, diferenciando-os de outras colectividades, surgindo assim, a identidade histórico-cultural local.

Cada POVO tem uma espécie de impressão digital comunitária!

Para se compreender as transformações pelas quais a cultura de um povo tem atravessado no decorrer dos tempos, é necessário conhecer como era no início das suas formações sociais, políticas e económicas. Como tal, não devemos falar do presente, invocar o futuro e esquecer o passado.
Dando um mergulho de longa duração no tempo, chegado o ano de 1151, D Sancho I, de cognome o Povoador, atraiu colonos estrangeiros tendo-os distribuído por diversas zonas do território despovoadas e desertas, oferecendo-lhes o privilégio do cultivo dos campos, aumentando assim a população, a segurança das fronteiras e a própria riqueza do país. Nesta época já existia um Homem que pensava e respeitava o futuro do seu povo.
Saltando umas épocas, nos finais do séc. XIX, mais propriamente a partir de 1880, Fontes Pereira de Melo, recorre a políticas de investimento de comunicação por todo o território, inclusive pelo INTERIOR, através da abertura de estradas, construção de caminhos-de-ferro, distribuição de serviços postais, disponibilidade de redes telefónicas etc.. O chamado Fontismo, investiu em políticas reformistas para que Portugal recuperasse num todo dos seus atrasos relativamente aos restantes países da Europa.

Viveu-se o período de Regeneração que não esqueceu o INTERIOR, bem pelo contrário, foi graças a si que tivemos as nossas primeiras estradas e as nossas primeiras linhas de ferro. Foi graças a si que se aproximaram os povos, as culturas e as pessoas.

O INTERIOR tem sido morto lentamente e não precisamos de ficar pelas crónicas dos reinados, basta pegarmos nos anais da democracia, para ficarmos com uma ideia profunda do alcance do terrorismo das políticas demográficas do PSD-CDS e do PS.
Chegados ao séc. XXI, importa perguntar: afinal, o que é o INTERIOR?
Seguramente existirão muitos INTERIORES, ainda assim, no meu ponto de vista, politicamente é designado pela mesma medida com que é tratado, ou seja, de uma forma simplista: como um território de baixa densidade populacional. O mesmo é dizer que só valem os números!
Ajuizar o INTERIOR é sentir a dimensão de um povoado e o sentido de pertença que existe em cada um de nós. É entender a essência das pessoas! É respeitar as comunidades, a história, a cultura, a floresta e a fauna. É falar de pessoas e de território, onde existe vida, diminuída de igualdades e perdida de muitas outras necessidades, cada vez mais esquecida e ostracizada pelos governantes originando consequentemente o despovoamento e por conseguinte o seu fim. Sim, não é exagero, existem aldeias à beira da sua extinção!
Para quem ainda tiver dúvidas, o mapa dos investimentos 20-30 evidencia bem o que significa investir no Interior para os políticos do Litoral.
Será o Interior encarado como uma ameaça ao Litoral? E o Interior que descende do Litoral? E o Litoral que medra no Interior? Por que razão não há-de o Litoral contribuir com uma distinção positiva para potenciar o INTERIOR? Que interessa termos uma pele bonita e luminosa se tivermos os nossos órgãos vitais doentes?
Se há uma gestão obstinada pela Zona Costeira, porque não há um compromisso governamental integrado num planeamento autêntico da administração dos recursos no INTERIOR?
Ao ter para mim que a sustentabilidade de um território é o resultado da sua construção de identidade social, questiono-me:

porque não pensar num enfoque especial ao repovoamento e criação de dinâmicas socioeconómicas e socioambientais?

Têm de se gerar estratégias alternativas e flexíveis de recuperação ajustada com a percepção das necessidades. É preciso ter uma visão clara da realidade e pensar numa regeneração agregadora que vá para além da Regionalização, da Descentralização, ou da Municipalização, pois pelos vistos, agora, imaginem até já o CDS defende a Regionalização! O que de certa forma, admito, me assusta.
Os órgãos decisores não têm o direito de continuar a despir-nos de serviços e instituições públicas, como escolas, hospitais, repartições, balcões dos CTT e até freguesias, aceitando isso como se fosse uma coisa natural. Tarda nada e estão a extinguir municípios! Não podem deixar-nos de fora no investimento rodoviário e ferroviário, na saúde e na educação como têm permanentemente feito os sucessivos governos.
ACREDITEM, O INTERIOR PRECISA DE SOCORRO!
Necessitamos de uma protecção escudada na certeza e na aceitação unânimes que só com um INTERIOR robusto em recursos humanos, atlético em diversidade de serviços e desenvolvido em termos estruturais teremos um país sustentável. É urgente implementar políticas públicas e colaborativas para a valorização económica das regiões, com objectivos de fomentar acções comunitárias como, por exemplo, o turismo, o comércio e a indústria locais, que atraem investimentos e como consequências directas criação de emprego, coesão social, conexão territorial, aumento populacional e fortalecimento do afecto de propriedade.

Nenhum país resiste saudavelmente se estiver dividido, quebrado e cruzado. Mas isto tem de sair do círculo da retórica académica e entrar definitivamente nos programas de investimento das políticas públicas.

Têm de se gerar estratégias alternativas e flexíveis de recuperação ajustada com a percepção das necessidades. É preciso ter uma visão clara da realidade e pensar numa regeneração agregadora que vá para além da Regionalização, da Descentralização, ou da Municipalização, pois pelos vistos, agora, imaginem até já o CDS defende a Regionalização! O que de certa forma, admito, me assusta.
Os órgãos decisores não têm o direito de continuar a despir-nos de serviços e instituições públicas, como escolas, hospitais, repartições, balcões dos CTT e até freguesias, aceitando isso como se fosse uma coisa natural. Tarda nada e estão a extinguir municípios! Não podem deixar-nos de fora no investimento rodoviário e ferroviário, na saúde e na educação como têm permanentemente feito os sucessivos governos.
ACREDITEM, O INTERIOR PRECISA DE SOCORRO!
Seja através da distinção positiva nas políticas fiscais, na implementação de impulsos à natalidade, na atracção de jovens e na captação de empresas, seja através de estímulos a novos nichos de mercado como o turismo natural, cultural e até familiar.
Mas, porque há quem justifique este massacre da exclusão com números, relembro que quando Guterres falou em algoritmos, mandou fazer as contas aos outros! Quando Barroso começou a fazer cálculos escapou-se de fio dental para a Europa. Quando Sócrates recorreu às unidades meteu o país na falência. Quando Cavaco puxou dos galões de economista faliram imediatamente Bancos! Quando Passos Coelho e Portas distribuíram as contas de subtrair, arruinaram famílias e mandaram emigrar os jovens! Quando Costa deu à costa, não saiu da orla costeira!
Afinal, os números interessam SIM, mas é para justificarem o desprezo que os governantes têm pelas pessoas e pelas terras.
Muito tem de ser feito para combater o envelhecimento, a desertificação da população e outras desgraças prejudiciais. Não podemos baixar os braços e dar-mo-nos como vencidos.
Falar do Interior, é falar de história, de costumes, de cultura, de raízes, de gastronomia, de beleza natural, de património rural e religioso. Falar de INTERIOR é falar de segurança, de qualidade de vida, mas, sobretudo, é falar de PESSOAS e até só por isso, os governantes devem reconhecimento à grandeza de quem nele vive e nele sobrevive, mesmo com todas estas condicionantes impostas pelas políticas “litoralistas relaxantes” e pelos estadistas defensores das grandes metrópoles e das malhas urbanas.
Falar do Interior, é também falar de Portugal! Defender o Interior, é também, defender Portugal!

Nasceu em 1972, em Alijó, onde estudou, tendo passado pelo Colégio de Lamego. Licenciou-se em Administração Pública, Regional e Local. Em 1999 Ingressou nos quadros do Município do Porto, tendo desempenhado a função de fiscal no SMAS. Em 2002 ingressou no quadros do Ministério das Finanças onde permanece até hoje.
Tem um livro de poesia publicado -Douro de ouro meu - cuja receita reverte para o IPO do Porto na ajuda da luta contra o cancro em crianças e jovens.
Formou uma candidatura ao Município de Alijó, que encabeçou pelo BE.
Tem uma paixão intrínseca pelo Douro, pela escrita e pela fotografia. Defende os valores da família que pretende passar para o seu filho Afonso de seis anos.

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