Foto por Richter Frank-Jurgen, CC BY-SA 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0>, via Wikimedia Commons

Durante uma audição parlamentar, e em resposta a uma pergunta do Bloco, o ministro do Ambiente atacou violentamente os ambientalistas. Em carta aberta, seis organizações não governamentais de ambiente lamentam esta postura e propõem conjugar esforços para defender a Natureza. Por Esquerda.net

“O ministro do Ambiente não tem de ser um ambientalista, mas deve respeitar os cidadãos ambientalistas e as suas associações”. Este é o título da carta aberta assinada pela C6, uma coligação de organizações não governamentais de ambiente (ONGAs) que integra a ANP / WWF-Associação Natureza Portugal em associação com WWF, FAPAS-Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade, GEOTA–Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, LPN-Liga para a Protecção da Natureza, QUERCUS-Associação Nacional de Conservação da Natureza e SPEA-Sociedade Portuguesa para o Estudodas Aves.

Na missiva, os ambientalistas reagem à resposta do ministro da Saúde, em plena audição na Assembleia da República, a uma questão do Deputado Nelson Peralta “sobre o Fundo Ambiental e o financiamento tão necessário da conservação da natureza, incluindo o cofinanciamento de projetos do Programa LIFE da UE”.

“…Viva a opacidade, viva a falta de transparência, deem lá dinheiro aos rapazes que eles estão aflitos”, afirmou João Pedro Matos Fernandes.

“Por ‘rapazes’ o Senhor Ministro referia-se aos ambientalistas, às associações de conservação da Natureza, a todas as pessoas, homens e mulheres, que aqui trabalham com seriedade, profissionalismo, espírito de missão e muito amor à camisola – cientistas, professores, sociólogos, políticos, biólogos, comunicadores, financeiros, administrativos, voluntários, e até engenheiros!”, escrevem as ONGAs.

Os ambientalistas lamentam que, “menosprezando a importância” do seu contributo para a conservação da natureza, o ministro crie “cisões em lugar de promover a colaboração”. E é exatamente isso que propõem as ONGAs: “conjugar esforços para uma causa comum, a Defesa da Natureza”.

No documento, a C6 recorda que foi o trabalho dos ambientalistas e das associações no terreno que permitiu a criação de muitas das áreas protegidas nacionais, bem como a angariação de milhões de euros mo âmbito dos projetos Life para a conservação da Natureza em Portugal.

“Por isso, chamar às ONGAs de Portugal “rapazes”, revela falta de reconhecimento pelo nosso trabalho e pela cidadania ativa”, referem as ONGAs.

Sobre os dados que o ministro do Ambiente apresentou no Parlamento, os ambientalistas deixam algumas correções: “O Fundo Ambiental não gastou, em 2020, 17,8 milhões de euros na conservação da natureza; no orçamento aprovado (ainda não há relatório de execução) pelo seu Despacho n.º 8457/2020, estavam previstos apenas 9,47 milhões para esse fim, ou seja, 1,64% do orçamento total do Fundo Ambiental. Notámos também que não referiu que 8,5% do orçamento do Fundo Ambiental se destinou em 2020 a financiar 49.149 milhões de euros de projetos e ações aprovados por protocolo, logo sem concurso público”.

A C6 termina apelando a João Pedro Matos Fernandes que “coloque de lado diferenças que possa ter com as ONGAs e procure apoiar a sua capacidade de organizar parcerias, desenvolver projetos e apresentar resultados de conservação e restauro da natureza. Deste modo potenciando uma melhor colaboração entre organismos públicos e organizações de cidadãos, a favor do interesse da sociedade”.

Os ambientalistas garantem ainda que “continuarão a procurar cumprir os compromissos que assumiram, com coragem e determinação, com profissionalismo e espírito de missão”. “Não desistimos de lutar contra a degradação do nosso património natural e em defesa da Natureza”, frisam.

“Esperamos que o Ministro não continue de costas voltadas para as organizações ambientalistas”

Numa publicação na sua conta de Twitter, o deputado do Bloco Nelson Peralta afirma que “é tempo do Governo fazer mais e também apoiar as ONGAs que o estão a fazer”.

“Foi aliás isso que o Bloco fez aprovar no Parlamento (com o voto contra do PS e IL e a abstenção do CH)”, aponta. Nelson Peralta espera que “o Ministro não continue de costas voltadas para as organizações ambientalistas e, já agora, de costas voltadas para as políticas ambientais”.

“A recuperação de ecossistemas e a conservação da biodiversidade são essenciais à nossa vida e ao combate contra as alterações climáticas. O Governo não pode ficar de fora”, vinca o deputado.

Publicado por Esquerda.net a 3 de fevereiro de 2021

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