Apoio à produção biológica: Bloco quer dedicar-lhe 25% da área agrícola do país

O objetivo da proposta bloquista é atingir essa extensão de produção biológica em 2030. “É necessário estabelecer metas arrojadas” para reduzir a metade as emissões de gases com efeito de estufa, diz o deputado Ricardo Vicente.

Em declarações ao esquerda.net, o deputado Ricardo Vicente, responsável pela apresentação deste projeto de resolução, afirma que “temos mesmo dez anos para reduzir mais de metade das emissões de gases com efeito de estufa, o que significa que estamos muito atrasados e é necessário estabelecer metas arrojadas”. 

O deputado refere que “é preciso que os dinheiros públicos sejam aplicados com esta urgência e para tal a Política Agrícola Comum que está agora em negociação, para o período até 2027, é decisiva. O Governo deve incorporar na política nacional e na transposição da PAC a meta comunitária de dedicar 25% das terras agrícolas à agricultura biológica até 2030 e criar mecanismos de orçamento e apoio aos agricultores para esta transformação.”

De facto, apesar das vantagens da agricultura biológica para a saúde humana, para o ambiente e para o emprego, este modo de produção agrícola é ainda incipiente em Portugal.

Segundo dados da Comissão Europeia para 2018, as terras agrícolas portuguesas dedicadas à agricultura biológica não ultrapassam os 5,9%. A baixa proporção de área agrícola em modo biológico situa Portugal abaixo da média dos países da União Europeia (8%) e coloca-o a uma grande distância do país com maior percentagem de área de agricultura biológica na União Europeia, a Áustria, com 24,1%.

Tendo em vista o incremento da produção biológica, o Bloco de Esquerda propõe o cumprimento da meta comunitária de dedicar 25% da área agrícola nacional à agricultura biológica até 2030, a criação de campos de demonstração para a implementação de sistemas de produção biológicos em diversas regiões do país, envolvendo as instituições de investigação e do ensino superior e o estabelecimento da obrigatoriedade de produção animal biológica em todas as pastagens que auferem apoios nacionais e comunitários enquadrados na produção agrícola em modo biológico.

O deputado Ricardo Vicente conclui que “os apoios da PAC à agricultura biológica foram maioritariamente absorvidos em forma de renda por grandes proprietários de pastagens que ninguém sabe ao certo o que produzem e quanto produzem. Recebem apoios de agricultura biológica, mas quase não há carne biológica no mercado. Não se percebe se o seu negócio é a venda de carne ou a captura de subsídios. As pastagens que recebem apoios para este fim têm de passar a produzir carne biológica”, defende.

Notícia publicada no Esquerda Net.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Related Posts
Sobreiro
Ler Mais

Ambientalistas contra corte de árvores em Nelas

Está previsto que várias árvores, entre as quais um sobreiro centenário, sejam abatidas devido às obras de modernização da Linha da Beira Alta. Os ambientalistas defendem alternativas e vão fazer um cordão humano este domingo.
Skip to content