Apesar da polémica inicial, foi aprovado um voto de congratulação com os votos favoráveis de praticamente toda a Assembleia Municipal de Viseu (A.M.V.), com excepção de dois membros da bancada do PSD que se abstiveram.

Esta aprovação foi  por larga maioria mas só aconteceu depois do representante do Bloco de Esquerda, Jorge Wolfs, aceitar reduzir o voto esvaziando o mesmo de considerações como “forma de desafio às restantes bancadas”.

A Assembleia Municipal de Viseu, reunida na Aula Magna do Instituto Piaget em Sessão Ordinária no dia 29 de setembro de 2020, congratula-se com a realização da 3ª Marcha de Viseu pelos Direitos LGBTI+.

Voto aprovado a 29 de setembro

Em causa esteve o parágrafo que dizia, após ser relembrado os 15 anos do STOP Homofobia, «Também em 2018, a intolerância de algumas pessoas desta cidade também se expressou contra a primeira marcha LGBTI+ em Viseu, colando cartazes a dizer “Viseu – A Melhor Cidade para Viver… Sem Vocês”.»

Segundo Jorge Wolfs «este parágrafo motivou quatro intervenções de partidos representados na A.M.V.: PSD, PS, CDU e CDS. O conteúdo de todas as intervenções baseou-se no mesmo, na ideia que o parágrafo pintaria uma imagem negativa não justificada da cidade de Viseu, e portanto, apenas votariam a favor do voto de congratulação caso o voto fosse reduzido.»

Jorge Wolfs realizou uma última intervenção, relendo o parágrafo em causa, onde disse que «está especificamente construído de forma a não ser generalizador, mas também não esconder a realidade». No entanto, «como forma de desafio às restantes bancadas, concordei com a re-estruturação de voto, de forma a avaliar a posição dos partidos face a ao mesmo».

O membro da bancada do BE, realçou em declarações “que atitudes problemáticas como as experienciadas em 2018 não serão branqueadas nem esquecidas; para perceber por que lutamos, não podemos apagar a história, nem negar a existência de quem quer ver o movimento falhar”, terminando com “a luta pela igualdade e direitos LGBTI+ é uma luta contínua”.

O texto original lembrava que «há apenas 15 anos Viseu aparecia nas capas de jornal e na abertura dos telejornais por ser a “capital da homofobia” ou o “berço da homofobia”», mas que a sociedade cívil respondeu com “a primeira manifestação fora de Lisboa contra estes fenómenos de ódio que, em Viseu, estavam organizados em milícias que perseguiam, humilhavam e violentavam a comunidade lgbti+.”

Também referia que «15 anos depois, a proatividade cidadã da cidade junta-se na Plataforma “Já Marchavas”, movimento que integra várias pessoas individuais e organizações, para não deixar passar esta efeméride, de forma a não deixar que a memória morra, combatendo os ódios que prosperam na sociedade portuguesa».

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