Neste dia 2 de abril de 2021, mais de três centenas de pessoas quiseram “render o tributo da memória ao sacerdote católico Maximino Barbosa de Sousa e à estudante Maria de Lurdes Correia”. Entre elas estão personalidades da Cultura, da Política, da Igreja Católica e de outros setores da sociedade.

“Em Memória de pessoas que tão vilipendiadas foram, durante muitos anos, pelo escol brutal do passadismo, daqui subscrevemos o apelo: não vos mataram, semearam-vos!”, afirma-se na carta aberta, impulsionada por Luís Fazenda, ex-vice-presidente da Assembleia da República.

Abaixo publicamos o texto completo da carta aberta e uma lista de primeiros subscritores.

In memoriam de Max e Lurdes

Passam 45 anos sobre o assassinato de Max e Lurdes neste dia 2 de abril. Tempo para render o tributo da memória ao sacerdote católico Maximino Barbosa de Sousa e à estudante Maria de Lurdes Correia, vítimas de um atentado bombista ao automóvel onde seguiam, de regresso a Vila Real depois de terem lecionado aulas noturnas, voluntárias e gratuitas, a adultos na Casa do Povo da Cumieira. Atentado que o Tribunal atribuiu à organização terrorista e fascista MDLP.

O Padre Max era uma pessoa comprometida com os trabalhadores agrícolas de Covas do Douro, com os rodoviários da Auto Viação do Tâmega, com os empregados do comércio de Vila Real e, sobretudo, com os estudantes, tão transmontanos como ele, tão sedentos de justiça e desenvolvimento das terras esquecidas. Max transbordava a democracia do 25 de abril numa região que ainda tinha disso uma notícia longínqua.

O assassinato de Max e Lurdes trouxe um repúdio tal que desencadeou um autêntico movimento de democratização cujas raízes ainda perduram. Não foi casual a utilização de uma bomba, dirigida pelo ódio reacionário e colonial do MDLP, no próprio dia em que a Constituição foi letra de Lei Magna da República.

Em Memória de pessoas que tão vilipendiadas foram, durante muitos anos, pelo escol brutal do passadismo, daqui subscrevemos o apelo: não vos mataram, semearam-vos!

Subscrevem a Carta Aberta mais de 300 pessoas em que se destacam:

Luís Fazenda, ex-vice presidente da Assembleia da República (principal impulsionador da carta aberta)

Alberto Martins, advogado, ex-deputado do PS e ex-ministro da Justiça
Aldina Duarte, fadista
Pe. Alberto Osório de Castro, professor aposentado e padre casado
Alexandra Lucas Coelho, jornalista
André Lamas Leite, jurista e professor universitário
Ana Catarina Mendes, presidente do Grupo Parlamentar do PS
Ana Gomes, diplomata aposentada e ex-deputada ao Parlamento Europeu
Ana Jorge, médica, ex-deputada do PS e ex-ministra da Saúde
Arménio Carlos, ex-secretário geral da CGTP
Cláudio Torres, arqueólogo
Carmo Afonso, advogada
Catarina Martins, Coordenadora Nacional do Bloco de Esquerda e deputada
Clara Sottomayor, juíza
Camané, músico
Daniel Oliveira, jornalista
Eurico Reis, juiz
Fernanda Rollo, historiadora, ex-secretária de Estado e membro da Fundação Mário Soares
Fernando Alves, jornalista
Fernando Rosas, historiador
Fernando Tordo, músico
Francisco Louçã, economista e membro do Conselho de Estado
Helena Roseta, arquiteta, ex-deputada constituinte e ex-presidente da Assembleia Municipal de Lisboa
Henrique Sousa, médico
Irene Pimentel, historiadora
Isabel de Castro, bancária e ex-deputada do Partido Ecologista “Os Verdes”
Isabel do Carmo, médica
Isabel Ventura, socióloga
Jacinto Lucas Pires, escritor
Januário Torgal Ferreira, bispo emérito das Forças Armadas e Segurança
Joana Craveiro, encenadora e dramaturga
João Cravinho, engenheiro civil e ex-deputado
João Botelho, cineasta
João Leal, antropólogo
Jorge Palma, músico
José Aranda da Silva, farmacêutico militar
José Machado Castro, resistente antifascista e advogado que acompanhou o processo judicial do assassinato do Padre Max e vários outros relativos à rede bombista
José Manuel Pureza, vice-presidente da Assembleia da República
Luís Raposo, arqueólogo e Presidente do ICOM Europa
Manuel Alegre, ex-vice-presidente da Assembleia da República
Manuel Carvalho da Silva, professor universitário e ex-secretário geral da CGTP
Manuel Loff, historiador
Manuel Morais, antropólogo, vice-presidente do 100 violência e agente principal da PSP
Margarida Gil, cineasta
Mário Brochado Coelho, advogado do processo judicial do assassinato do Padre Max
Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof
Marisa Matias, deputada ao Parlamento Europeu
Miguel Costa Matos, secretário-geral da Juventude Socialista e deputado
Miguel Guedes, advogado e músico
Pe. Constantino Alves
Pe. Vítor Melícias
Pedro Filipe Soares, presidente do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda
Pedro Nuno Santos, ministro e dirigente do PS
Pezarat Correia, militar de Abril
Pilar del Rio, jornalista
Rita Blanco, atriz
Rui Santos, Presidente da Câmara Municipal de Vila Real
Rui Tavares, historiador
São José Lapa, atriz
Sara Falcão Casaca, professora universitária e vice-presidente do Conselho Económico e Social (CES)
Siza Vieira, arquiteto
Souto Moura, arquiteto
Soraia Chaves, atriz
Teresa Leal Coelho, professora universitária, vereadora do PSD à Câmara Municipal de Lisboa, ex-deputada do PSD
Tiago Rodrigues, ator e encenador
Valter Hugo Mãe, escritor
Vasco Lourenço, militar de Abril e Presidente da Associação 25 de Abril
Vítor Ramalho, presidente da UCCLA

In Memoriam de Max e Lurdes e lista completa de subscritoras e subscritores

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