A Panificadora de Vila Real, um dos poucos edifícios construídos pelo arquitecto e artista plástico Nadir Afonso está em sério risco de demolição, alerta o movimento cívico Pró Nadir.
Após o arquivamento do pedido de classificação do imóvel por parte da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), deu entrada em dezembro na Câmara Municipal de Vila Real um pedido de classificação como imóvel de interesse municipal, sem resposta por parte do Município até à data.
O movimento recebeu dia 5 de abril uma comunicação da Secretaria de Estado da Cultura
em que foram informados de que no seguimento de um pedido de licenciamento da ampliação de uma superfície comercial, e com base no parecer do Conselho Nacional de Cultura e da manifestação do Município, a Direção Regional da Cultura do Norte(DRCN) terá emitido parecer positivo ao projeto de ampliação. Importa referir que este projeto implica a demolição total do edifício. O mais caricato é que a DRCN reconhece o valor da obra de Nadir Afonso ficando o promotor obrigado a expôr no interior do supermercado réplicas da obra do artista, para salvaguarda da sua memória. Para o movimento Pró Nadir esta é uma sugestão ofensiva e desrespeitosa à memória e à obra de Nadir Afonso, e nas palavras de Marta Vasconcelos Leite, jurista do movimento,

esta proposta parece-nos um bocadinho caricatural no mínimo”.

O forno grafitado da Panificadora. Crédito Cortesia Merooficina.

A última esperança de um volte-face nesta situação estaria numa tomada de posição por parte do Município de Vila Real, mas apesar da pressão do movimento Pró Nadir, da petição lançada pela Associação Alter Ibi que reúne neste momento 1470 assinaturas, dos apelos da Fundação Nadir Afonso e de outras forças de pressão, a Secretaria de Estado da Cultura informa na sua sua comunicação que a Câmara Municipal de Vila Real manifestou não estar interessada em adquirir ou intervencionar o edifício, pelo que resta esperar pela decisão acerca do pedido de classificação da Panificadora como imóvel de interesse municipal.

(Escrito por MFS)

A Panificadora após a ronda de demolições que a danificou. Crédito Hugo Santos.

Sobre a Panificadora
A Panificadora de Vila Real foi construída entre 1965 e 1966 segundo planos de Nadir Afonso, sendo um dos poucos edifícios que o arquitecto e artista plástico deixou construídos. Esteve em funcionamento até aos anos 1990, altura em que o negócio de panificação entrou em falência, tendo desde então estado ao abandono.
O edifício pertence a um proprietário privado. A Direção-Geral do Património Cultural arquivou em abril de 2018 o pedido de classificação do edifício. O Movimento Pró Nadir já interpôs um pedido de classificação como imóvel de interesse municipal junto da Câmara Municipal de Vila Real.

Sobre Nadir Afonso
Nadir Afonso foi um artista português pioneiro da arte cinética, que estudou arquitectura e trabalhou ao lado dos fundamentais Le Corbusier e Oscar Niemeyer. Tendo projectado edifícios mas visto poucos construídos, o seu trabalho edificado neste campo é reduzido, fazendo a Panificadora de Vila Real parte desse grupo. Morreu com 93 anos, em 2013.

Sobre o Movimento Pró Nadir
Após o arquivamento da proposta de classificação da Panificadora como património a ser protegido, em abril de 2018, um grupo de cidadãos juntou-se para procurar divulgar e sensibilizar para a proteção da Panificadora, e para defender a sua proteção e eventual reabilitação.

A fachada da Panificadora como se encontrava, em estado de degradação mas com a estrutura conservada, antes das demolições ilegais. Crédito Cortesia Merooficina.

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