Foto por mun-guarda.pt

Depois da escolha do atual presidente da Câmara da Guarda para encabeçar a candidatura às autárquicas, dois anos após o anterior presidente ter sido constituído arguido num processo em que se investigam suspeitas de favorecimento da Transdev, este continua a ser um dos motivos de discórdia no PSD local.

Segundo notícia adiantada pelo Público, o serviço público de transportes continua a ser um dos ingredientes da guerra instituída na estrutura local do PSD da Guarda, que não abrandou mesmo após Rui Rio indicar o atual autarca, Chaves Monteiro, como candidato às autárquicas de Outubro.

Com a escolha de Rio, Sérgio Costa, líder da concelhia e vereador a quem Chaves Monteiro retirou em março de 2020 todos os pelouros e a vice-presidência da câmara, por “deslealdade institucional”, ficou fora da corrida.

São vários os motivos que adensam a polémica instaurada: o afastamento de Sérgio Costa, a disputa do lugar de cabeça-de-lista à Câmara, a entrega da concessão de transportes públicos a uma empresa desconhecida da Amadora.

“Quem tratou de 95%, para não dizer 99%, dos ajustes directos com a Transdev foi Chaves Monteiro, que era vice-presidente desde 2013, e não Álvaro Amaro [ex-presidente]. O presidente dizia-lhe desde o primeiro mandato para acabar com os ajustes directos e preparar o concurso público, mas ele adiava sempre, empurrava com a barriga”, acusa Sérgio Costa, em declarações prestadas ao Público.

Confrontado com estas declarações pelo Público, o presidente da câmara atirou “o vereador é um mentiroso e um falso”, exclamou, acrescentando que “quem manda fazer os ajustes diretos é o presidente da câmara. O dr. Álvaro Amaro é que mandava na câmara, como eu mando nos meus subordinados. Ele [Álvaro Amaro] está a mexer-se em vários campos para que isto corra mal nas próximas autárquicas” 

Em reação, Álvaro Amaro, atualmente eurodeputado, disse ao Público: “essas afirmações são tão absurdas que nem as comento.” Também não se alongou em relação à escolha de Chaves Monteiro para liderar a candidatura autárquica, “a decisão é do partido, não é minha. Não me pronuncio sobre ela.”

Sobre essa escolha, Sérgio Costa adiantou, embora a concelhia ainda não se tenha pronunciado, que “por mais que eu tentasse, nunca o presidente do partido, que não conheço pessoalmente, quis falar comigo, que sou o presidente da concelhia de uma capital de distrito.”

O vereador sem pelouros resume a atuação de Chaves Monteiro como “atitudes ditadoras”, que por sua vez terá ameaçado com tribunais e afirmou que Sérgio Costa “não tem honra nem dignidade”.

 

A controvérsia do concurso dos transportes públicos

Em dezembro, dois concorrentes locais contestaram a intenção de o juri entregar a concessão dos transportes à empresa TRN, com sede na Amadora. Ambos entendiam que o valor apresentado a concurso pela empresa seria inferior aos custos reais que teria, o que corresponde a uma prática de dumping.

As reclamações foram rejeitadas pelo júri e, logo de seguida, o executivo da Câmara Municipal da Guarda aprovou por unanimidade a adjudicação à TRN. Seguiu-se nova reclamação de um dos concorrentes locais, alegando agora o incumprimento de prazos pela empresa da Amadora.

Em fevereiro, com base num parecer jurídico, a Câmara comunicou à TRN a intenção de declarar a caducidade da adjudicação pelo incumprimento dos prazos. Contudo, após a empresa justificar os atrasos com a pandemia, a autarquia acabou por aceitar e confirmar a adjudicação já em março.

Durante o processo, Sérgio Costa considerou que poderia estar em causa “uma adjudicação viciada de favor” e, mesmo após a adjudicação, continua com “muitas dúvidas e reticências”, de acordo com a notícia do Público.

 

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