“No momento em que vemos narrativas fascistas a ressurgir, reivindicamos as nossas escolas, universidades e politécnicas como espaços de liberdade e igualdade”, pode ler-se no manifesto lançado pelos jovens do Bloco e disponível para subscrição. Artigo esquerda.net.

No mesmo dia da revolução do 25 de abril, um grupo de estudantes do Bloco de Esquerda lançou no instagram o “Manifesto Inquiet’ação”, um nome “inspirado nas palavras de José Mário Branco. Segundo se pode ler no documento disponível para subscrição, a “extrema-direita tem um programa racista, xenófobo e machista que atenta contra a nossa Constituição e os direitos conquistados pela luta antifascista”.

O grupo proponente é formado por Andreia Galvão (estudante de Ciências da Comunicação), Leonor Rosas (estudante de Antropologia), Miguel Martins (estudante de Sociologia) e Sofia Lopes (estudante de Economia Política).

“A extrema-direita quer reabilitar a memória da ditadura do Estado Novo e o discurso lusotropicalista. Com um discurso profundamente revisionista, procura branquear a violência da PIDE tanto em Portugal como nas ex-colónias e reabilitar a imagem de uma ditadura que prendeu, torturou, matou e que empurrou dezenas milhares de jovens para uma guerra travada contra os ventos da História. Simultaneamente, procura ocultar a pobreza, o analfabetismo e o medo que reinaram em Portugal durante quase meio século de ditadura fascista”, escrevem.

”Como estudantes, é o nosso papel combater o fascismo, o racismo e o sexismo nos espaços das nossas faculdades, escolas e politécnicos, que queremos livres de toda a opressão e preconceito. Queremos estudar em espaços seguros, de debate e diálogo democrático, onde se condene inequivocamente qualquer tentativa de trazer de volta as páginas mais trágicas da nossa História”, afirmam.

A Inquiet’ação, inspirada nas palavras de José Mário Branco, “é uma iniciativa para dinamizar nas nossas escolas, universidades e politécnicos a luta antifascista e antirracista, contribuindo para construir espaços de liberdade, igualdade e debate vivo. Ao mesmo tempo, consideramos que uma sociedade democrática com futuro deve assumir o passado”.

Defendendo uma perspetiva “interseccional: tal como as opressões se cruzam e tocam na realidade, as lutas devem ligar-se em solidariedade”, defendem que “é preciso garantir a universalidade do direito à educação para construir uma sociedade que saiba dialogar, rejeitando ideais que colocam em causa as liberdades conquistadas por décadas de luta. Combatemos por uma alternativa de sociedade de igualdade, que garanta direitos iguais para todas as pessoas, independentemente do seu género, classe, orientação sexual ou características étnico-raciais. Só com revolta se vence a injustiça, só vencendo a injustiça se evita o ressentimento de que a extrema-direita se alimenta”, pode ler-se no documento.

 

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