Seguindo o apelo do movimento Fridays for Future, ontem ocorreu a primeira de duas greves estudantis marcadas para este outono dedicadas a mostrar que o ambiente é apenas uma das causas do movimento da Greve Climática Estudantil. A próxima será a 22 de outubro.

Estas duas greves focam-se no tema da interseccionalidade da luta pela justiça climática. “Porque existem desigualdades sociais e uma distribuição geográfica de pessoas e recursos diferente, nem toda a humanidade está a ser impactada da mesma forma, havendo pessoas na linha da frente, as MAPA (Pessoas e Áreas Mais Afetadas, traduzindo para português a sigla do Fridays For Future). Não podemos ter justiça climática sem justiça social”, apontam os ativistas no manifesto da iniciativa.

A luta por justiça climática é também a luta contra o sexismo, o racismo, a discriminação de deficientes, a desigualdade de classe e outras desigualdades e discriminações.

Em Viseu, quase duas dezenas de jovens e ativistas reuniram-se ontem no Rossio, em frente à Câmara Municipal, para “pedir aos Governos e a todas as pessoas a nível mundial que repensem as suas atitudes e o seu dia-a-dia. Precisamos de ajudar este planeta que está a ser destruído”, disse ao Jornal do Centro, João Marcelino, um dos responsáveis do movimento.

Nas reivindicações nacionais do movimento, encontram-se várias medidas no setor da energia, o maior emissor de gases de efeito de estufa em Portugal. Entre elas está a criação de um setor público que lidere o processo de produção energética, o encerramento das infraestruturas mais poluentes como a refinaria de Sines, o cancelamento de grandes projetos que irão contribuir para o aumento de emissões, como é o caso do novo aeroporto, mas também dos gasodutos.

Os ativistas defendem também que o próximo Orçamento do Estado deve contemplar as medidas da Campanha de Empregos para o Clima, como a requalificação profissional dos trabalhadores dos setores poluentes, a começar pelos das centrais termoelétricas de Sines e Pego. O investimento na eficiência energética e na investigação de alternativas ao gás natural e às baterias de lítio são outras medidas propostas.

No setor dos transportes, defendem a eletrificação do sistema, a começar pelos transportes públicos, com aposta nos comboios e elétricos de superfície em detrimento dos transportes aéreos fortemente subsidiados. A gratuitidade dos transportes públicos durante a atual legislatura e o fim dos voos nacionais e no espaço ibérico são outras das reivindicações.

No capítulo da agricultura, defendem a criação de um Plano Nacional Florestal e Agrícola fundamentado na agroecologia, a adequação da floresta às condições climáticas presentes e futuras, “apostando na diversificação, proteção e promoção de espécies autóctones”, mais equipas de guardas e sapadores florestais em atividade durante todo o ano, a proibição de mais área agrícola intensiva e a reparação dos graves danos que ela já provocou em Odemira e Aljezur.

Na educação, os ativistas querem ver no currículo de forma transversal o estudo das alterações climáticas e ecologia, a supervisão nutricional nas cantinas, retirando os bens de uso único e a carne importada, além da redução do consumo de carne e peixe a três dias por semana.

O movimento opõe-se ainda aos projetos de mineração em curso, nomeadamente no Barroso e na Argemela. Defendem também o cancelamento da atribuição das concessões de prospeção e exploração do lítio e outros metais pesados no norte e na Beira Serra e a proibição da atividade mineira a céu aberto.

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