Resposta da Câmara Municipal de Viseu ao pedido de esclarecimento do Bloco de Esquerda acerca das situações de poluição no Rio Pavia não satisfaz e levanta novas preocupações.

Na sequência da denúncia feita pelo Bloco de Esquerda a 24 de Julho ao SEPNA-GNR e ICNF e aos pedidos de esclarecimento sobre o estado geral do Rio Pavia à Câmara Municipal de Viseu, Junta de Freguesia de Viseu e Águas de Viseu a resposta recebida foi que “conforme anos anteriores, as águas de Viseu estão a proceder à limpeza das margens e leito do Rio Pavia. A empreitada em questão com o nome de “Reabilitação da Rede Hidrográfica do Rio Pavia em 2019” teve o auto de consignação em 08/07/2019. Os trabalhos iniciaram-se em 09/07/2019 e os troços em questão são da Circular Norte à Ponte António José de Almeida, do açude da Balsa ao Bairro de Santo António em Tondelinha e do Pontão de Santiago ao Pontão do Raposo numa extensão total de 7.000 m. Devido à falta de caudal do Rio Pavia nesta zona, a água encontrava-se estagnada o que aliado às temperaturas verificadas à data, provocaram temporariamente a falta de oxigenação desta, bem como o aparecimento de algas.”

Face a esta resposta o Bloco de Esquerda reage com apreensão, por um lado pela situação denunciada ter ocorrido a 24 de julho, altura em que supostamente a reabilitação do rio Pavia já estava a decorrer, mas também pelos trabalhos estarem a ser feitos “à semelhança do ano passado” tendo sido “os resultados deploráveis”, de acordo com o comunicado emitido.

Já neste mês, no fim de semana de 17 e 18 de agosto, foi registado o drástico esvaziamento do rio e a morte de algumas espécies. No dia 19 de Agosto, o Município de Viseu, desculpou-se publicamente afirmando que “Na observação efetuada constatou-se a existência de uma fenda de grandes dimensões na base do açude da Casa da Ribeira, que originou a perda da água represada pelo açude.” e que de acordo com o Jornal do Centro “causou a morte de vários peixes”. Conceição Azevedo, vereadora do ambiente, afirma que “Pode ter sido um animal que tenha feito ali ’um esburacado’. O buraco deslocou-se e passou para o outro lado”.

No comunicado emitido pelo Bloco a contínua preocupação com este curso de água justifica-se por haver “motivos para a estagnação e falta de oxigenação da água do Rio Pavia e estes prendem-se com a falta de cuidados crónicos em relação ao mesmo, no entanto no dia 24 de Julho era visível a existência de dejetos e de dezenas de peixes mortos. Felizmente esta situação não é diária, não podendo portanto ser justificada com base em reações biológicas da corrente e que advêm da infeliz falta de reabilitação do leito e da margem do rio.”

As Águas de Viseu, responsáveis pelo projeto, adiantam que foram investidos 43.150,00 € nos trabalhos de “Reabilitação da Rede Hidrográfica do Rio Pavia em 2019” e a Junta de Freguesia de Viseu afirma ter conhecimento desta empreitada, responsabilizando no entanto a Câmara Municipal de Viseu pelo assunto.

(Escrito por MFS)

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