Foto por Nuno Morão | Flickr

Em comunicado, o Bloco de Esquerda de Bragança defende um investimento forte na ferrovia, considerando a construção da Barragem de Foz Tua uma decisão errada e que o Plano de Mobilidade do Vale do Tua “será um embuste”.

Para a Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda de Bragança, o Rio Tua e a população merecem mais do que a situação que se vive atualmente, relativamente ao novo adiamento do Plano de Mobilidade do Vale do Tua, que descrevem como um “empurrar com a barriga” “de algo que não deveria ser necessário”, uma vez que a situação seria melhor se neste momento existisse “uma linha do Tua mais forte e renovada, que satisfizesse os interesses das populações e protegesse a fauna e a flora”, algo que o Bloco tem defendido, nomeadamente nas últimas legislativas.

Uma da contrapartidas prometidas aquando a aprovação e construção da Barragem de Foz Tua, que implicou a submersão de quase 20 quilómetros da linha do Tua, foi o Plano de Mobilidade do Vale do Tua, que “prevê três troços, sendo o primeiro, de autocarro, entre a Estação Ferroviária de Foz-Tua e o Cais de Embarque na Barragem; o segundo, de barco, entre o Cais da Barragem e o Cais da Brunheda; e um terceiro, de comboio, numa ligação entre a Brunheda e Mirandela”. A comunicação social noticiou esta semana que o Plano ainda não estará concluído este verão “e dificilmente sequer neste ano”.

Não ver o comboio a circular nos próximos tempos é uma situação que não “apanha de surpresa” o Bloco, “antes demonstra o quanto esta decisão foi errada, neste caso a construção da Barragem e extermínio de uma linha férrea essencial não só para as populações que servia diretamente, como aquelas que foram igualmente privadas do seu serviço, mesmo com a promessa dos supostos benefícios que são escassos ou nulos e alguns que pecam por tardios.” Consideram ainda que o Plano de Mobilidade, “mesmo quando chegar, será um embuste para as populações, servindo apenas o turismo e quem explora esses recursos, deixando mais uma vez de fora as populações e os interesses locais.”

Em alternativa, é feita a defesa de “um investimento forte na ferrovia como meio de transporte ecologicamente sustentável, que de facto sirva as populações reduzindo as desigualdades entre territórios e uma aposta no turismo que sirva as populações de Trás-os-Montes e do Douro, pois o que acontece agora beneficia meia dúzia de empresários em detrimento destes concelhos e da generalidade dos seus habitantes.”

 

Barragem de Foz Tua: decisão controversa

 

A construção da Barragem de Foz Tua foi autorizada pelo Ministério do Ambiente em 2009. A sua construção, segundo o Bloco de Esquerda de Bragança, “levou à destruição definitiva de uma paisagem única e de uma linha férrea que, encerrada em 2008, há décadas era arrasada pelo desleixo da parte dos sucessivos Governos e pelos propositados: desinvestimento na manutenção e supressão de troços e comboios.”

Decisão que terá sido “tomada à revelia de uma parte considerável da população afetada, tendo sido, desde o início do projeto, alvo de contestação pelo Bloco de Esquerda que sempre se manteve coerente na defesa da linha, da paisagem, das populações e dos próprios ecossistemas que viriam a ser destruídos. E não esqueçamos que a centenária classificação de património UNESCO do Douro Vinhateiro está ainda em risco.”

Para o Bloco, “uma linha de beleza ímpar, com características únicas na Europa e no mundo, viu-se assim impossibilitada, sequer, de haver esperança na possibilidade de alguma vez voltar a servir a sua população.” A barragem “destruiu uma linha de elevado valor turístico”, mas também de significativa importância para a mobilidade das populações de vários concelhos transmontanos, “nomeadamente Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor, já de si praticamente isolados”. Além do mais, “arrasou também, a nível ambiental, a paisagem tão característica de um vale de beleza singular. O paredão que se ergueu no Tua espelha bem a falta de noção nesta decisão de construção de uma barragem, que se dizia tão fundamental, mas que afinal produz, uns singelos, 0,1% da energia elétrica do país, prevista no Programa Nacional de Barragens de 2007.”

O Bloco sublinha ainda as mudanças de posição “surpreendentes” de alguns autarcas ao longo do processo, “que com a ilusão gananciosa das ainda tão aguardadas contrapartidas por parte da EDP, entre as quais a criação da Agência Regional de Desenvolvimento do Vale do Tua, que, como se vê,  mais não foi do que um “tapar de olhos” e um ardil para garantir o crime que se viria a cometer, pois pouco ou mesmo nada veio alterar na vida das pessoas afetadas. Autarcas que com o acenar de milhões e cargos de chefia, rapidamente abandonaram a contestação, para passarem a defender algo a que, até então, se opunham veementemente.”

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