Miguel Encarnação, ativista do movimento contra o projeto do Gasoduto Celorico da Beira – Vale-de-Frades, participou no painel “Ambiente do Avesso?” onde explicou o processo e qual o ponto de situação do projeto.

O gasoduto em questão “faz parte de um projeto da União Europeia e da Indústria Petrolífera para fazer a transição entre o petróleo e as energias renováveis através do gás natural”. O objetivo, explicou Miguel Encarnação, “é fazer de Portugal um hub ibérico para transportar LNG (liquefied natural gas)”.

Este gás natural é explorado através “de fracking ou de outros modos”, depois é “liquefeito, posto num barco e transportado para qualquer ponto do mundo”, explicou o ativista, acrescentando que todo este processo “tem tanto impactos na exploração, nos locais onde ele é explorado, como no transporte”.

Durante o transporte, vai sendo libertado metano, que é “vinte e quatro vezes mais danoso para o ambiente do que o CO2”, “fazendo com que este gás seja mais danoso para o ambiente do que o próprio carvão”. Miguel remada que “mais valia continuar a queimar carvão do que fazer a transição energética através do LNG”.

Em Portugal o objetivo seria fazer chegar o gás natural que entra em Sines a toda a europa, utilizando o troço Celorico da Beira – Vale-de-Frades. Já existe de momento um gasoduto que liga Sines à Guarda “e a ideia seria completar este trajeto até Zamora”.

Para dar início ao movimento contra este projeto, Miguel Encarnação reuniu com vários atores locais, mapeando e dando informação às pessoas sobre o assunto, como o Presidente da Câmara de Bragança, que estava a par do projeto e o engenheiro do ambiente do município, que não sabia de nada. 

Muitos professores do Instituto Politécnico de Bragança, pessoas do Centro de Ciência Viva e a população em geral também não estavam a par. Neste seguimento foi organizada uma sessão de esclarecimento, uma petição e reuniões.

O ativista questiona: “se vamos investir milhões de euros numa infraestrutura que vai ficar, que tem que ser rentabilizada no mínimo durante quarenta anos, então porque não investimos diretamente esses milhões de euros em energia renovável já?”. Considera ainda que “o que o gasoduto vai fazer é perpetuar a nossa dependência em gás e depois a transição energética vai ser mais difícil”

Neste momento o movimento contra o projeto está parado porque o próprio projeto também o está, uma vez que “a CCDR Norte bloqueou o processo por o gasoduto passar no Parque Natural do Douro Internacional”.

 

Ambiente do Avesso? O panorama ambiental do interior

Associações, Movimentos, Coletivos e Ativistas do Interior partilham as suas perspectivas e lutas pelo ambiente.

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