Valtreixal | Nuno Madeira Alves / CC BY-SA (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0)

A oposição à mina a céu aberto projetada para situar-se em Calabor, perto da fronteira e do concelho de Bragança, une 50 empresários do turismo, pois consideram que a instalação desta mina põe em causa o turismo de natureza.

Segundo o Jornal Nordeste, os empresários são proprietários de alojamentos, animação e restauração. Em declarações ao Jornal Nordeste, o proprietário de um alojamento local em Lagomar no concelho de Bragança, António Sá, considera que a mina poderá prejudicar a promoção da região enquanto destino de natureza, visto que “é absolutamente incompatível com estas actividades económicas”.

Refere ainda que “o turismo de natureza vive de zonas com elevada biodiversidade e qualidade ambiental. Daí que qualquer projecto que possa pôr em causa esta integridade do território tem consequências negativas para estas actividades”.

Os empresários enviaram as suas preocupações e reivindicações para Grupos Parlamentares, Municípios, Governo e Turismo de Portugal que encaminhou um parecer sobre as problemas que pode acarretar esta mina para o setor à Agência Portuguesa do Ambiente (APA)

António Sá afirma que “ficámos muito satisfeitos porque o Turismo de Portugal acolheu as nossas preocupações, não só acolheu como também desenvolveu um parecer, que teve por base um estudo de impacte ambiental, em que concluíram que este tipo de projecto terá, inevitavelmente, consequências muito negativas para o turismo”.

Já para Rui Loureiro do Movimento UIVO – Por uma Reserva da Biosfera Meseta Ibérica livre de minas, as preocupações ambientais são enormes porque “são indústrias pesadas e vai ter muito impacto não só ali à volta, como na própria fauna da região e terá um impacto brutal para o turismo de natureza. Estamos a falar de muitas toneladas de dinamite que vão rebentar todos os dias, está previsto que circulem ali 20 a 30 camiões por dia”.

Para o Turismo de Portugal “as águas subterrâneas e superficiais serão afectadas, nomeadamente no caso do rio Calabor/ribeira da Aveleda que desagua no rio Sabor”. Referem também as explosões provenientes da mina se ouvirão a mais de 5 quilómetros e que devido às poeiras a qualidade do ar será afetada. Entendem assim que “os alojamentos turísticos e as empresas de animação turística de toda a região, verão a sua actividade económica fortemente ameaçada”.

O Turismo de Portugal considera no parecer que esta mina coloca o reconhecimento da UNESCO da Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica em risco.

As preocupações com a instalação da mina já fizeram com que autarcas se demonstrassem contra a mesma, assim como o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Zasnet.

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda também já questionou o Governo sobre esta matéria e a Comissão Coordenadora Distrital de Bragança já se solidarizou com o Movimento UIVO na luta contra a instalação da mina, tendo, inclusive, reunido com o mesmo em fevereiro.

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