“Numa democracia não se pode deixar ninguém para trás nem nenhum território para trás”

Marisa Matias em visita à albufeira de Santa Águeda/Marateca afirmou que “continuamos a assistir a um crime ambiental e de saúde pública. Temos um movimento que continua a fazer o seu trabalho de pressão mas continuam sem  respostas” e esta albufeira “tem uma enorme riqueza do ponto de vista de biodiversidade, para além disso abastece o consumo de água em quatro municípios o que coloca em causa a saúde pública”.

A candidata à presidência da República, Marisa Matias, visitou hoje à albufeira de Santa Águeda/Marateca, no concelho de Castelo Branco, sendo acompanhada pela Plataforma de Defesa da Albufeira de Santa Águeda onde observou e tomou conhecimento de todas as supostas ilegalidades cometidas naquela zona protegida.

José Ribeiro, da Plataforma de Defesa da Albufeira de Santa Águeda, afirma que já denunciaram algumas situações ilegais que estavam e continuam a acontecer na albufeira impunemente e que logo após, realizaram uma conferência técnica com especialistas que também consideram importante esta luta. O movimento fez também uma recolha de lixo na albufeira, bem como, a arborização de uma faixa com cerca de 300 salgueiros.

Afirma que esta Plataforma, para “além de aderentes individuais que são mais de 100”, integra também várias associações. José Ribeiro refere que propuseram já “a sinalética para a barragem, que não está implementada, a abertura dos caminhos públicos e como podem constatar há alguns caminhos que estão vedados, pedimos também a análise da água porque já foram encontrados peixes mortos aqui nas margens e não nos foram facultadas”.

Marisa Matias refere que “continuamos a assistir a um crime ambiental e de saúde pública. Temos uma Plataforma cidadã que continua a fazer o seu trabalho de pressão mas continuam a não haver respostas” e esta albufeira “tem uma enorme riqueza do ponto de vista de biodiversidade e para além disso abastece o consumo de água em quatro municípios o que coloca em causa a saúde pública”, visto que “nem sequer se revela os resultados das análises existentes, a não ser as análises parciais, e o que é preciso saber é qual é o nível de contaminação e o que está a acontecer com esta água. Falta a vontade de proteger este ecossistema e a saúde das populações e é por isso que estou aqui”.

“Numa democracia não se pode deixar ninguém para trás nem nenhum território para trás e não é pelo facto de haver mais ou menos população de ser mais litoral ou mais interior que se pode fechar os olhos a este tipo de crimes”, afirma a candidata.

Afirma também que mesmo que a Presidência da República não seja um cargo legislativo, pode, através de um ministério de influência que pode determinar o caminho da democracia, afirmando que “proteger a constituição passa por proteger os direitos dos cidadãos e das cidadãs e os direitos ambientais e saúde que estão consagrados, mas para além disso, é evidente que nós estamos num momento em que precisamos de fazer uma transição ecológica neste país. O combate às alterações climáticas é uma realidade e o Presidente da República tem que articular-se e cooperar para que nós consigamos em Portugal responder às ameaças das alterações climáticas, protegendo os direitos das pessoas ao mesmo tempo que fazemos esse combate”.

“Falta pensar no futuro e como podemos fazer esse caminho criando mais emprego, mais justiça social, mais coesão territorial e esse é um papel fundamental para quem estiver em qualquer órgão de soberania neste país”, apontou a candidata

Marisa Matias refere ainda que durante os anos que leva como Eurodeputada tem feito inúmeras denúncias de violações de diretivas da água, considerando que “infelizmente quando a União Europeia acata estas queixas e fá-lo com frequência dirige-se às autoridades nacionais e locais para resolver os problemas e não vemos depois essa ação por parte dessas autoridades”, considerando que em Portugal várias vezes se incumpre “e não se respeitam as diretivas e a diretiva quadro da água está sistematicamente a ser violada e este é um dos casos onde a violação é mais gravosa porque nem sequer conseguimos ter acesso às análises”.

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