José Afonso, também conhecido como Zeca, nasceu há 91 anos. Foi peregrino durante toda a sua vida, percorreu Portugal e mundo, por isso é um pouco de todo o lado, de Aveiro onde nasceu, de Coimbra onde estudou, do Alentejo por onde ensinou, mas também de Belmonte, de Mangualde e de muitos outros lugares. Foi autor, cantor e revolucionário através da canção.

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu em Aveiro, mas por lá não ficou muito tempo. Em 1933 segue para Angola, reunindo-se coms os pais que já lá estavam desde 1931. Em 1936 regressa a Aveiro. Em 1937 parte para Moçambique, de novo ao encontro dos pais. 

Regressa a Portugal, em 1938, desta vez para casa do tio Filomeno Afonso, notário e presidente da Câmara Municipal de Belmonte. Aqui conclui a quarta classe. O tio, salazarista convicto, fá-lo envergar a farda da Mocidade Portuguesa.

Vai para Coimbra em 1940 para prosseguir os estudos. Começa a cantar serenatas como «bicho», designação da praxe de Coimbra para os estudantes de liceu. Faz viagens com o Orfeão e com a Tuna Académica. Joga futebol na Associação Académica de Coimbra. É também em Coimbra que são editados os seus primeiros discos com fados de Coimbra.

De 1953 a 1955 cumpre, em Mafra, serviço militar obrigatório. Após o serviço militar vai dar aulas num colégio privado em Mangualde. Como professor e como cantor continua em movimento constante tanto dentro do país como além fronteiras.

Nascido musicalmente do fado de Coimbra, foi figura central do movimento de renovação da música portuguesa das décadas de 60 e 70. Génio criador de inúmeras canções de intervenção contra o Regime.

Com uma dessas canções, tornada símbolo, já toda a gente sabe, Zeca Afonso ficou para sempre associado ao fim do Estado Novo, regime de ditadura Salazarista. “Grândola, Vila Morena”, foi utilizada como senha pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), comandado pelos Capitães de Abril, que instou à instauração da democracia, em 25 de Abril de 1974.

Deixou-nos com 58 anos, mas permanece bem vivo e presente através das suas canções, ainda ouvidas cantadas e recantadas, continuam a ser gravadas por outros artistas, sem fronteiras, continuando as viagens que marcaram a vida de Zeca Afonso. O seu trabalho e a sua incidência política são património indelével da cultura portuguesa.

Deixe o seu comentário

Skip to content