Número de assistentes sociais nas escolas é diminuto, o que impede combate ao insucesso escolar

Escola | covid
Foto por Maximilian Scheffler | Unsplash
Para além do número reduzido de assistentes sociais nas escolas, de um para cada 12 mil alunos, estes profissionais denunciam ainda a instabilidade que sentem na profissão, que os impede de combater tão eficazmente o insucesso escolar, tarefa na qual são fundamentais.

Em declarações à Lusa, Ana Filipa Laje, assistente social na Escola de Camarate refere que “quando nem a Comissão de Proteção de Menores (CPCJ) fazia visitas domiciliárias, nós continuámos a ir. No primeiro confinamento não se sabia bem como é que se processavam os contágios, e ficávamos à porta de casa a falar com os miúdos e com os pais”, considerando que com a pandemia ficou ainda mais notória a importância que estes profissionais desempenham nas escolas.

Estas visitas serviam para monitorizar também a situação que os alunos atravessavam no período do confinamento em que as aulas se desenrolavam à distância.

Já Fátima Martins, que fazia visitas às famílias identificadas pelo Agrupamento de Escolas de Arco de Valdevez, chegava a fazer centenas de quilómetros, e as realidades que encontrou foram diversas. Desde zonas sem cobertura de rede ou internet, a casas sem computadores.

Uma situação que a marcou foi a de uma família recém chegada da Venezuela que vinha “ quase sem nada. Não tinham trabalho, não tinham rendimentos, nem sabiam como estavam a funcionar as escolas. Arranjámos comida, roupa e trabalho. A mãe já conseguiu um contrato de trabalho e o pai também já está a trabalhar. Penso que, se não tivéssemos aparecido, esta família poderia ter tido um percurso bastante complicado”.

Por sua vez, Irene Fonseca da Associação de Investigação e Debate em Serviço Social (AIDSS) considera que “há um trabalho que é feito para tentar quebrar a pobreza geracional. Os assistentes sociais vão conhecer as razões que motivam um determinado ato e tentam encontrar soluções”, considerando ser fundamental agir rápido na resolução dos problemas.

Irene Fonseca alerta para a situação precária em que alguns profissionais se encontram, e cita um estudo de Sara Mendes que apontava “um rácio de um assistente social para cada 12 mil alunos nas escolas do continente”, ou seja, 112 assistentes sociais num total de 811 escolas públicas. Afirma que o Ministério nunca chegou a fornecer os dados que foram pedidos neste âmbito.

Vários exemplos de precariedade são citados, como o de Fátima Martins que trabalha no Agrupamento de Escolas de Arco de Valdevez, sendo contratada pela autarquia através de uma empresa de trabalho temporário, ou Andreia Teixeira que trabalha há 40 anos e ainda não está nos quadros.

Ana Filipa Laje que recentemente se tornou efetiva sublinha a forma como se vive ansiosamente ao início de cada ano sem se saber ao certo como as equipas vão funcionar.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), em declarações à Lusa refere que estes profissionais “são quem trabalham de perto com as famílias, quem vai a casa saber se está tudo bem e este trabalho de proximidade é essencial para combater o abandono e insucesso escolar” e que “eles forçam, pela positiva, os alunos a não abandonar a escola”.

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