Foto por Melisenda2010 no Flickr

Segundo o relatório do Observatório Técnico Independente é possível haver uma redução no número de focos de incêndio e haver ao mesmo tempo uma melhor gestão do combate. O observatório reitera a importância da redução do número de ignições, porque quanto mais ocorrências existem mais difícil se torna para o dispositivo de combate atuar.

Foram feitos por parte do Observatório análises aos incêndios nestes últimos anos, nomeadamente o de Monchique em 2018 e o de Vila de Rei- Mação em 2019, e as conclusões são que existem algumas melhorias, não sendo, no entanto, suficientes.

Para o Observatório “no que respeita à primeira intervenção esta é em geral rápida, com a complementaridade entre bombeiros, sapadores florestais e a muito influente componente aérea protagonizada pelas Unidades de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS), que sucederam ao GIPS, da GNR, cumprindo em média o objetivo de uma intervenção em menos de 20 minutos.” Referem também que a “localização estratégica dos diversos meios (aéreos e terrestres, bombeiros e sapadores florestais) deve ser otimizada no seu conjunto, aproveitando as complementaridades.”

Consideram também que “estas análises deverão ser continuadas utilizando as bases de dados do SADO (gerida pela ANEPC) e do SGIF (gerida pelo ICNF). Uma plataforma de informação comum está a ser desenvolvida, o que é de registar muito positivamente. Muitas vezes a discussão faz-se pela quantidade de meios disponíveis quando a melhoria da eficácia e eficiência poderia muitas vezes, com os mesmos custos, ser procurada pela otimização da localização dos meios.”

O observatório considera que é importante aproveitar o período noturno em que as condições para o combate são melhores e mais eficazes, mas ao mesmo tempo exige “uma formação mais especializada dos agentes intervenientes” de forma a que não se denotem as fragilidades de 2017.

Consideram que neste aspeto da formação dos operacionais houve alguma melhoria desde 2017 “em particular no que concerne à segurança dos agentes e à coordenação e ao planeamento estratégico de operações. É especialmente significativa a constituição do Núcleo de Apoio à Decisão (NADAIR) no âmbito da atual ANEPC em ligação com as estruturas operacionais da Força Especial de Bombeiros (FEB, atual FEPC).” Consideram que se regista “como muito preocupante que esta componente de que o Estado dispõe para o ataque ampliado não tenha ainda as condições de estabilidade contratual nem o investimento que potenciem a sua atuação e a sua desejável ampliação”.

Para o Observatório Técnico Independente o caminho ainda é longo para a “profissionalização; formação e qualificação dos agentes; reforço de mais e melhores equipamentos; rentabilização da capacidade instalada a nível local, regional e nacional; recrutamento de técnicos para o desempenho qualificado de funções especializadas na gestão de emergência; planeamento da intervenção de todos os agentes do sistema numa lógica de complementaridade territorial”.

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