Pastores e criadores de gado do distrito de Vila Real participam num “curso pioneiro” de “operacional de queima”. O objetivo é aprenderem o comportamento e uso do fogo para a limpeza de matos, renovação de pastagens e prevenção de incêndios de verão.

Em Alfarela de Jales, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, uma ação de fogo controlado para gestão de combustíveis serviu de aula prática para os formandos do curso de “operacional de queima” que está a ser promovido pela associação Terra Maronesa, segundo notícia da Lusa.

O formador Marco Ribeiro, engenheiro florestal especialista na área de comportamento de fogo, explicou que as características do combustível da parcela, a vegetação ali existente, bem como as condições meteorológicas (temperatura, vento) e a humidade do solo, são fatores que influenciam a dinâmica do fogo.

A aula prática começou assim com a introdução de todos os procedimentos, bem como do intenso e rigoroso trabalho de preparação que antecede a realização da queimada. Antes de avançar, é também necessária uma autorização prévia por parte das entidades competentes.

“Se tudo estiver equilibrado podemos avançar. Consoante a validação que fazemos ao terreno, definimos uma estratégia e um plano B”, salientou o formador.

A ação teve o acompanhamento constante de uma equipa de sapadores florestais. Dos 20 formandos, 17 são pastores e criadores de gado de Vila Pouca de Aguiar, Murça ou Mondim de Basto.

António Moutinho, criador de vaca maronesa, em Souto, realçou à Lusa a importância do curso. “Nós não temos capacidade para fazer a gestão dos matos que se vão acumulando nas áreas que a gente pastoreia e há lugares onde não é possível, o gado não consome a vegetação toda e os matos vão-se acumulando e não têm forma de os destruir”.

Neste sentido, as queimadas são, segundo António Moutinho, “uma ótima forma de fazer a gestão desses matos, essencialmente para o pastoreio e também para a prevenção de incêndios, serve os dois objetivos”. 

“O fogo poderá ser um instrumento essencial para nós gerirmos melhor as nossas áreas de pastoreio”, acrescentou, frisando duas “limitações” do recurso a meios mecânicos: a irregularidade dos terrenos e o custo elevado.

Já Francisco Carocha, um outro formando criador de cabras e vacas maronesas, em Cidadelha de Jales, salientou a importância da regeneração das pastagens e lamentou que, atualmente, “está muita coisa a monte porque ninguém limpa”. “O fogo ajuda. É uma técnica importante. Mais barata e nesta altura não dá cabo de nada, não são incêndios fortes como são no pleno verão”, destacou ainda.

De acordo com a Lusa, o curso envolve a Aguiarfloresta – Associação Florestal e Ambiental de Vila Pouca de Aguiar, a LENHOTEC e a Escola de Pastores que irá arrancar em maio na serra do Alvão. Duarte Marques, da Aguiarfloresta, definiu-o como um “curso pioneiro em Portugal”, mas que já acontece, por exemplo, nos Pirenéus.

O curso de 200 horas, teóricas e práticas, inclui os módulos: comportamento fogo, fogo controlado, prevenção de incêndios rurais e vigilância e primeira intervenção em incêndios rurais. Procura responder à necessidade relatada pelos pastores da renovação das pastagens.

Visa capacitar e certificar pastores para a realização da queimada de forma segura. “O caminho é formar, capacitar os agentes que estão envolvidos, de forma a que o processo seja mais seguro, que responda melhor às suas necessidades porque não podemos esperar um mês, dois meses, para utilizar uma queima, não podemos criar muitas barreiras administrativas e burocráticas”, salientou à Lusa.

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