Em audição a António Costa Silva, sobre o documento “Visão Estratégica para a recuperação económica”, o Bloco de Esquerda assinalou a omissão de uma visão para o interior que vá além da extração de matérias-primas e da construção de centrais de biomassa.

Na audição a Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, o Bloco esteve representado pelas deputadas Isabel Pires e Maria Manuel Rola e levantou questões sobre as ausências no documento estratégico relativamente às questões do trabalho, da habitação, do combate às alterações climáticas e do interior.

Isabel Pires começou por apontar que o documento “peca do nosso ponto de vista por ser demasiado genérico em vários aspetos e noutros cremos que sofre omissões bastante importantes e que são, do nosso ponto de vista, essenciais para a reflexão que temos que fazer para esta resposta à crise”. Algumas dessas omissões são, segundo a deputada, a transição energética e o interior.

Em termos de transição energética, “as soluções encontradas baseiam-se no mesmo modelo vigente de produção e de consumo”, apontou, dando como exemplo a promoção da extração mineira, as soluções para a biomassa e os problemas de regeneração dos solos.

Também Maria Manuel Rola identificou que temos “problemas a nível da biomassa”, sem que se tenha vindo a considerar “a incorporação da biomassa nos solos, que é uma forma também de tratamento da biomassa e de combate às alterações climáticas”, como solução. Pelo contrário, o Governo tem preferido as centrais de biomassa, demonstrando “uma predileção para o aumento da produção” e para os regimes de monocultura, muitas vezes em conflito com as populações locais.

Estas questões, como identificou Isabel Pires, ligam-se diretamente com a limitada visão para o interior, votado ao esquecimento ao longo dos anos, com o “encerramento de serviços públicos” e com a “dificuldade em ter investimento em infraestruturas essenciais”. O que se verifica no documento, segundo a deputada, “é que se confirma outra vez que o discurso de revitalização do interior é apenas um discurso. A única coisa que é apresentada em concreto é a extração de matérias-primas e a construção de centrais de biomassa e o interior merece mais do que isso”

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