Foto por EAPN Portugal | Facebook

Representantes da Rede Europeia Anti Pobreza reuniram esta quinta-feira com o Presidente da República para lhe entregar uma “Carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal”, onde se defende que o combate à pobreza deve ser a “prioridade das prioridades”.

O documento entregue pelo presidente da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti Pobreza (Pe. Jardim Moreira) e Sebastião Feyo de Azevedo (reitor da Universidade Portucalense) foi redigido pelo Conselho Social Nacional da Rede Europeia Anti Pobreza, que tem como objetivo “defender a dignidade humana, apoiando e promovendo a dinamização das atividades da EAPN no cumprimento da sua missão, visa conduzir a uma estratégia nacional de prevenção e combate à pobreza.”

Segundo comunicado da EAPN Portugal, citando o documento entregue, a pandemia terá acentuado a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos, “reforçando, infelizmente, que a pobreza é, indubitavelmente, o principal problema do País. É essencial que as entidades sobre as quais recai a responsabilidade de enfrentar o problema não tenham dúvidas em defini-lo como tal – a prioridade das prioridades.”

O documento sublinha que “segundo a OCDE, Portugal é dos países desenvolvidos onde é mais difícil sair da pobreza ou, do outro lado, deixar de ser rico. É por isso que pode demorar cinco gerações para que as crianças pertencentes a uma família que esteja na base da distribuição de rendimentos consigam um salário médio. Se a condição dos pobres e da pobreza em si mesmas são suficientes para gerar um clamor que nos faça exigir mais medidas e medidas mais eficazes, consideremos ainda que esta pandemia está a provar que uma sociedade é tão mais segura do ponto de vista sanitário quanto menores forem as desigualdades dos seus membros».

Jardim Moreira explica como a pobreza vai muito além da questão monetária: “o conceito de pobreza multidimensional refere-se à experiência e ao impacto da pobreza no percurso de vida das pessoas. As pessoas experienciam a pobreza como uma série de privações, não apenas como ‘dinheiro insuficiente’ – ou outras coisas, mas experiências, oportunidades, serviços e ambientes que outras pessoas aceitam como normais. Estas privações podem incluir desemprego e baixa intensidade laboral, recursos financeiros, acesso a educação de qualidade e a cuidados de saúde, integração social, apoio familiar, condições de alojamento e residência. As pessoas em situação de pobreza também podem ser vítimas de estigma, vergonha, discriminação, isolamento e exclusão da vida social, consequências negativas de decisões restritivas ou de curta duração, pior saúde mental e física e uma esperança de vida mais reduzida”.

O documento está disponível no site da EAPN Portugal para subscrição on-line desde ontem. Apela a todos, sem exceção, que se se aja rapidamente, dado que «a prazo, a pobreza matará também a Democracia», propondo 10 áreas de ação fundamentais e urgentes, independentemente dos ciclos políticos.

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