Foto por Hugo Cadavez

Na passada semana a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos denunciou a situação de iminente rutura do serviço de Oncologia do Hospital de Viseu. Em causa está a capacidade de resposta na quimioterapia, na consulta médica e na cirurgia, bem como na admissão de novos doentes para serem seguidos neste hospital.
Após a saída de dois dos três clínicos, neste momento existe apenas um médico oncologista no serviço. Esta realidade torna impossível o acompanhamento de todos os casos oncológicos, consultas, tratamentos de quimioterapia e cirurgias. No caso das cirurgias, não só não existe a capacidade por parte do quadro de pessoal do Hospital de Viseu para as realizar, como o facto não se conseguir garantir o acompanhamento na terapêutica subsequente obriga os utentes a serem acompanhados noutros locais como Coimbra ou Vila Real.
O reforço e capacidade de resposta do SNS tem sido uma batalha do Bloco de Esquerda, que no caso do Hospital de Viseu já desde 2017 acompanha a situação e reclama a instalação de um centro de radioterapia neste Centro Hospitalar. Carlos Couto, da Comissão Coordenadora do BE de Viseu afirma que o Centro Hospitalar Tondela-Viseu “precisa desse investimento por dois motivos: primeiro, para conseguir tapar os buracos do desinvestimento dos últimos anos e, depois, em segundo, para poder evoluir e dar melhores condições aos utentes”.
Neste hospital são acompanhados, anualmente, centenas de doentes oncológicos. Só a nível cirúrgico, o hospital opera, por ano, cerca de 350 doentes do foro oncológico-digestivo, 150 doentes de cancro da mama e mais algumas dezenas de casos dos foros ginecológico e urológico. Tendo em conta as necessidades deste centro hospitalar, Carlos Couto afirma que “não é só este problema que esperamos que seja pontual, é também depois o investimento que é necessário para que o serviço possa melhorar e para que os doentes possam ser atendidos em Viseu, mesmo sem este problema de falta de médicos”.
Assim, o Grupo Parlamentar do BE, através do deputado Moisés Ferreira, questionou o Ministério da Saúde, sobre que medidas serão tomadas, de imediato, para a contratação de profissionais para o Centro Hospitalar de Tondela-Viseu, nomeadamente médicos oncologistas, de forma a que este centro não perca capacidade de resposta, bem como quando e quantos estão previstos. Ficando a aguardar a resposta por parte do Governo, Carlos Couto conclui dizendo “que toda esta pressão não seja para remediar a situação, mas que seja para haver um investimento, para que não volte a acontecer e para que o serviço possa ter mais valências através do investimento necessário na saúde”.

(Escrito por MFS)

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