Santa Comba Dão: habitação reconstruída depois dos incêndios de 2017 “sem condições”

No sábado passado (dia 9), o movimento Santa Comba Dão Insubmissa visitou uma habitação unifamiliar localizada na estrada de Real, na freguesia de São Joaninho, requalificada após os grandes incêndios de 2017, e questiona-se “onde para a habitação digna?”

A casa em questão pertence a uma família que, em 2017, após os incêndios, ficou sem a sua residência permanente e todo o recheio. “Esta família só voltou a ter a sua casa dois anos depois, mas recebeu uma habitação sem condições”, denuncia o movimento, chamando a atenção para vários pontos do processo. 
Apesar de existir base legal para que a requalificação da casa começasse, a Câmara Municipal de Santa Comba, mandatada pela CCDR-C, “numa atitude intimidatória, um ano depois dos grandes incêndios”, afirmou à família que sem o dinheiro do seguro, um montante de 80 mil euros, não haveria início das obras.

Além dos problemas no processo, a habitação construída não corresponde às necessidades da família, “que no mínimo, merecia uma casa como a que tinha antes”. O Santa Comba Dão Insubmissa descreve que “a casa construída foi de dois andares quando a família tinha uma rés do chão e foi construída num local diferente da anterior, mesmo sendo no mesmo terreno”.

Terreno que de resto serviu de depósito para entulho de outras habitações afetadas pelos incêndios, que hoje em dia “é motivo de insegurança para os habitantes da casa já que na época de chuva desaba colocando em causa a própria segurança da habitação, que se encontra a alguns metros antes”. 

Mas a casa construída apresenta ainda defeitos estruturais, “como a entrada para a garagem que acaba por inutilizar este espaço para o efeito que era pretendido, estacionar um veículo, mas também já podemos encontrar várias rachaduras nas paredes, tal como pontos de humidade”.

Perante este cenário, o movimento questiona se o dinheiro que deveria ser utilizado para a construção da habitação realmente o foi. “A nova habitação foi avaliada pela Autoridade Tributária em 46 mil euros, mas não foram pedidos 80 mil pela CCDR-C para a sua construção?”

Também a promessa da entrega de vários bens, cedidos pela empresa Aquinos, nunca foi cumprida.

“A tragédia dos incêndios de outubro de 2017 foi altamente dolorosa para o nosso concelho e para as populações, sobretudo para quem perdeu entes queridos e para quem também perdeu bens materiais, em muitos casos habitações construídas com o trabalho de uma vida”, entende o movimento Santa Comba Dão Insubmissa, defendendo que “tudo o que não necessitavam estas pessoas era passar por um processo pós-incêndios confuso, atabalhoado e nada transparente, o que levou à construção de habitações pouco dignas.”

Rematam com a “pergunta que fica por fazer”: quem vai compor as falhas estruturais desta habitação?

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