A Comissão Coordenadora Concelhia de Viseu do Bloco de Esquerda defendeu esta segunda-feira em comunicado que o atual Executivo Municipal não tem sensibilidade para o cinema e a fotografia, considerando que o plano de ação serviu de pretexto para políticas de turismo. Afirmam que em Viseu “não há políticas culturais a médio e longo prazo. Há sim uma política de eventos, com visão para vender “filmes postais” da cidade.”

O Bloco recorda que ao início do ano de 2020, era vendido um “postal da cidade” pela Câmara Municipal de Viseu onde se podia ler que “em 2020, Viseu vai sentir o cinema e a fotografia como nunca! Vamos receber o maior festival de cinema de turismo da Europa, o ART&TUR, e proporcionar incríveis experiências cinematográficas e fotográficas para todos. Convidamo-lo, mais uma vez, a visitar Viseu no novo ano. LUZ, C MARA, #VISITVISEU!”

A Comissão Coordenadora do Bloco questiona agora o que “trouxe este mote do cinema e da fotografia aos viseenses e à cidade”, num momento em que se aproxima o ano de 2021.

Consideram também que se trata de um slogan vazio e “um autocolante para a lapela vaidosa da vereação da Cultura do Município; um cromo para a caderneta dos anos temáticos; mais um logótipo nos cartazes das acções culturais que aconteceriam de qualquer forma.” Afirmam ainda que de “Ano do Cinema” se reconhece que “a vereação terá interpretado demasiadamente à letra a ideia de que o cinema é uma arte de “falsificação” e “fingimento”. Luz, câmara, repetição.”

Para o Bloco o Município de Viseu não tem sensibilidade para o cinema e a fotografia, considerando que o plano de ação serviu de pretexto para políticas de turismo. Acusam a vereação de que “este plano de acção confirma a suspeita de que a inclusão da palavra ‘cultura’ no nome da vereação se trata apenas de uma capa moralista para um gabinete de “marketing territorial” – áreas que podem criar sinergias pontuais, mas que não permitimos que se confundam”.

Referindo-se ao que houve de cinema em 2020 afirmam que a iniciativa “VISEU 2020. Luz, Câmara, Ação” é “uma ideia pouco plural e diversificada das áreas de especialidade, no caso do cinema, com  uma visão muito centrada na produção comercial, vincadamente hollywoodesca” e que o cinema Drive in tinha um preço demasiado elevado, o que o tornou pouco inclusivo. Já sobre o Art&Tur – Festival Internacional de Cinema de Turismo, consideram que demonstra que o executivo tem uma ideia de cinema para o turismo.

Acreditam que se poderiam ter feito extensões, parcerias, “com festivais de cinema nacionais e até internacionais para trazerem a sua programação de filmes e estreias para Viseu”, bem como, “um investimento sério na educação para o cinema, na construção do olhar cinematográfico. Formação de novos públicos.”

Defendem ainda “uma aposta no Plano Nacional de Cinema (PNC) que permitisse que as escolas da região desenvolvessem o PNC para a formação escolar e divulgação de obras cinematográficas nacionais” e uma maior parceria com o Cine Clube de Viseu. Consideram que “o Cine Clube de Viseu poderia ter sido o principal parceiro e mentor do programa de cinema, visto ter conhecimento para o fazer.”

Reiteram que o executivo tem esquecido o Cinema Ícaro, e que se está a perder uma oportunidade de “devolver esta magnífica sala de cinema à cidade”. “Um auditório com 170 lugares em pleno centro da cidade que poderia servir a cidade para múltiplas iniciativas, quer da Câmara, quer das associações culturais. As portas do Ícaro fechadas à cidade e à cultura são o reflexo da deficiente política cultural deste executivo, que não compreende a importância de um espaço como é a sala de cinema e o que nela se pode fazer a médio e longo prazo, para a formação de públicos e educação de seres criativos e críticos”, afirmam.

Para o Bloco poderia ter-se feito uma “promoção do cinema nacional em circuito pelo distrito, com debates, exposições, nas ruas ou nas escolas”, bem como, a criação de curtas-metragens filmadas no distrito, desenvolvendo assim o cinema nacional, técnicos e artistas.

Consideram que por que a Câmara Municipal quer “turistificar” o cinema e a cultura referindo à programação do “VISEU 2020. Luz, Câmara, Ação” como pouco “cuidada, inclusiva, criativa e séria. O ano de 2020 chega agora ao fim e é lamentável que nada se tenha feito pelo cinema na região”.

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