O que tem o feminismo a ver com ecologia?

É basicamente esta a questão que trazemos para o IV.Encontro Nacional de Jovens Feministas, a realizar dia 17, 18 e 19 de Maio, em Coimbra e com inscrições obrigatórias e gratuitas, até dia 12 de Maio
Pretende-se trazer a debate de que forma o(s) feminismo(s) e a participação política e social das mulheres influenciam o desenvolvimento das sociedades atuais e se estas práticas têm ou devem ter em atenção questões ambientais.

As mudanças, previstas e sentidas há tanto tempo, afectam-nos a todos e todas, mas afecta-nos particularmente a todas.

Somos nós, que em tantas zonas, enquanto cuidadoras da terra, mais sofremos quando estas se tornam inférteis, quando o tempo não permite o cultivo e quando o alimento escassa.
São as mulheres, que no limiar da pobreza mais ficam vulneráveis a armadilhas movidas por dinheiro e poder: em clima de pobreza são as mulheres que mais sofrem agressões, violações e são mais sujeitas a tráfico humano e sexual. São também as mulheres que mais são atacadas durante catástrofes, provocadas pelo ser humano ou não, e durante os percursos migratórios. Situações às quais assistimos cada vez com maior frequência.
São as mulheres, apesar de não reconhecidas e resultado da necessidade – e talvez também por facilidade de empatia pelos seres que sofrem por opressão – que fazem grande número nos movimentos pela sobrevivência ambiental e animal, apesar do erotismo instalado em tais movimentos e da liderança tentar ser particularmente masculina.

O mesmo sistema que oprime a natureza, oprime as mulheres. São as mesmas causas e a mesma falta de valores, respeito e consideração pela vida: seja de uma espécie (especimismo) ou de um sexo (sexismo).

É a mesma mentalidade dominadora que decide ignorar as consequências para um ser em prol de um momento de prazer para outro. Que diz que sim a intoxicar os seus habitantes em prol de manter uma imagem de ‘espaço limpo’. Que diz que sim à destruição de habitats sobre o mote de maior conforto e mais dinheiro. Que diz que sim à caça, à desflorestação, às touradas e à exploração desenfreada. Em que as/os mais poderosas/os, justificam a sua ação com cultura, lazer e diversão – um querer tão superficial quando comparado à vida em dignidade.
Como um dos sistemas organizadores da população, a política deve obrigatoriamente ocupar-se de destituir qualquer fator que permita a opressão de parte da sua comunidade – seja ela humana, vegetal ou animal – principalmente quando num estado como o atual em que se deixou passar demasiado tempo para resolver este domínio humano sobre outras espécies e fazendo com que enfrentemos consequências terríveis como a redução massiva de insectos, diminuição da biodiversidade, aumento de catástrofes naturais, maior aparecimento de certos tumores, redução da qualidade do ar, aumento das temperaturas, degelo e tantas tantas outras! Questionemo-nos também sobre a presença e o papel das mulheres neste sistema.

Emancipemos a natureza e emancipemo-nos (assim) a nós próprias.

Entendamos os sistemas de poder que estão na base de ambas as opressões de forma a que possamos ver com maior clareza que estes tópicos se unem tão bem, completando-se e permitindo-nos uma nova visão das desigualdades inerentes a estruturas opressoras.

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A Rede Portuguesa de Jovens para a Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens (REDE) é uma associação feminista sem fins lucrativos que tem como objetivo a promoção da igualdade de género na juventude, no respeito pelos preceitos e orientações das Nações Unidas e da União Europeia, recorrendo, para tal, a atividades nas áreas de educação, empoderamento, mobilização e advocacy.

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