A aldeia de Lamas, em Macedo de Cavaleiros, tornou-se em poucos anos o maior produtor de cereja em Trás-os-Montes. Na aldeia com cerca de 250 habitantes são produzidas centenas de toneladas de cereja que são escoadas quase na totalidade para os mercados do Porto e de outros concelhos do norte, mas também exportadas para a Arábia Saudita, Singapura, Noruega ou Inglaterra. Na localidade não há registo de quebra de produção, ao contrário do que tem ocorrido noutros locais do país. 

Apesar disso, a cereja de Lamas ainda não é das mais reconhecidas e a Associação de Produtores de Cereja de Lamas, que conta com 20 produtores, é recente e não beneficiou de este ano não poder organizar feiras de promoção, devido à pandemia.

A realidade vivida em Alfândega da Fé é outra. Reconhecida como a capital da cereja no Nordeste Transmontano e onde habitualmente se produzem mais de 150 toneladas, este ano regista quebras de produção de 50%, comparativamente a 2019, devido ao mau tempo. Pela primeira vez em 30 anos a Festa da Cereja não ocorrerá.

As queixas de quebra de produção aparecem um pouco em todo o país, como em Penajóia, concelho de Lamego, com quebras na ordem dos 80% ou no Fundão, uma das mais conhecidas regiões de produção deste fruto.

Contrariamente ao que poderia ser previsível, o que afeta a produção não é a dificuldade da apanha devido às práticas antipandemia , mas a deterioração do fruto provocada pelas oscilações climatéricas. São retiradas em média 6 toneladas por hectare de cereja no Fundão, este ano as árvores vão dar menos de metade, o que corresponde a uma quebra de 50%, como o Interior do Avesso já havia noticiado aqui.

Escrito por CG

Deixe o seu comentário

Skip to content