Águas do Planalto: O porquê da concessão e o grupo Aquapor

O grande poder económico, aliado às debilidades financeiras e à inoperância das autarquias, mas sobretudo à falta de uma visão estratégica que preserve um bem comum, como a água, por parte de alguns autarcas levou-nos a este ponto. 

Em agosto de 1996, a Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão (AMRPB) lançou o Concurso Público Internacional para a Concessão do Serviço de Abastecimento e Distribuição de Águas para os concelhos de Carregal do Sal, Mortágua, Santa Comba Dão, Tábua e Tondela.

Quem ganhou este concurso foi a LUSAGUA – Gestão de Águas, S.A, mas por obrigação contratual foi constituída a empresa Águas do Planalto S.A. a 8 de maio de 1997, tendo iniciado a sua atividade um ano depois, em maio de 1998. 

Desde o ano 2001, que a Águas do Planalto passou a integrar o grupo AQUAPOR. Este grupo é um gigante do abastecimento de água e saneamento, e não só, já que para além das Águas do Planalto, integram-no: Águas do Gondomar, Visaqua, Águas do Sado, TRATAVE, Águas de Cascais, Águas de Alenquer, Águas de Vila Real de Santo António, Águas do Vouga, Águas do Lena, Águas da Figueira, Luságua, Águas da Teja e Águas da Azambuja

O grande poder económico, aliado às debilidades financeiras e à inoperância das autarquias, mas sobretudo à falta de uma visão estratégica que preserve um bem comum, como a água, por parte de alguns autarcas levou-nos a este ponto. 

A Aquapor, rentável e desejada, tem sido sondada por vários grandes grupos económicos estrangeiros nos últimos tempos, como o grupo francês Saur ou a Aquália, do ultramilionário mexicano Carlos Slim, que já detem serviços em Portugal, mas sobretudo no Estado espanhol. O grupo Saur acabou por adquirir a Aquapor este ano e o CEO do grupo, Patrick Blethon, já referiu que “no que toca ao preço da água, e esta é minha posição tanto enquanto político como enquanto empresário, acredito que os consumidores não pagam o preço adequado. As pessoas não estão bem informadas sobre o custo da gestão e manutenção da água. Abrimos a torneira e a água cai, mas não cai do céu”. 

Em outubro de 2020, o jornal Valor Local divulgava um estudo feito pela Aquapor às populações servidas pelos seus serviços, nomeadamente nestes cinco concelhos. O CEO da empresa, António Cunha, referiu que os resultados foram muitos satisfatórios, com base na opinião das pessoas relativamente à qualidade da água e aos preços, mas os comentários dos utentes na mesma notícia mostram completamente o contrário. 

De acordo com os autarcas que fizeram este negócio ainda no século passado, nomeadamente Carlos Manuel Marta Gonçalves (Tondela), Afonso Sequeira Abrantes (Mortágua), Atílio dos Santos Nunes (Carregal do Sal), Orlando Mendes (Santa Comba Dão) e Francisco Ivo Lima Portela (Tábua), havia uma enorme falta de recursos financeiros para, isoladamente, construir uma rede de água acessível aos munícipes destes cinco concelhos, daí terem optado por este caminho que ao longo do tempo tem lesado as populações com um dos preços da água mais caros do país. 

Mas afinal, o que se passa com as Águas do Planalto?

Dossier Águas do Planalto

Bloco saiu à rua em protesto contra o elevado preço da Águas do Planalto

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