Foto por Luis Caprichoso, CC BY 3.0 <https://creativecommons.org/licenses/by/3.0>, via Wikimedia Commons

A gestão da autarquia de Idanha-a-Nova preocupa os arquitectos Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez, que desenharam e acompanharam as intervenções de requalificação em Idanha-a-Velha de 1994 a 2010. A aldeia foi classificada como Monumento Nacional em 1997.

Segundo artigo do Público, a preocupação dos arquitetos do Atelier 15, que desenharam e acompanharam as intervenções de requalificação em Idanha-a-Velha, já motivou o envio em agosto de uma carta ao presidente da câmara Municipal de Idanha-a-Nova, Armindo Jacinto, do PS.

“Não há uma gestão cuidada”, lamentou Alexandre Alves Costa, em declarações ao Público. “Houve ali um investimento grande, numa antiga cidade com importância histórica que merecia um tratamento mais cuidado e mais culto”, considera. A aldeia foi cidade romana, numa localização que ligava Mérida a Braga.

As causas do descontentamento apresentadas pelos arquitectos do Porto incluem o facto de alguns dos espaços desenhados para serem visitados permanecerem encerrados, a realização de intervenções sobrepostas às reabilitações desenhadas e ainda a inexistência de acompanhamento e fiscalização de alterações na aldeia.

Além destas preocupações, na carta enviada à autarquia, Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez manifestam “um certo desgosto” pela forma como foram “sendo desautorizados e marginalizados do processo de regeneração” de Idanha-a-Velha. De acordo com o Público, ainda não terão obtido qualquer resposta.

A intervenção desenhada pelo Atelier 15 incluiu a Sé Catedral, o Lagar de Varas, o Arquivo Epigráfico, a muralha, a porta Norte, os Palheiros de S. Dâmaso, a Praça do Espírito Santo, a Praça de Touros, a Capela de São Dâmaso, bem como o posto de turismo.

Como exemplo da falta de cuidado na gestão da aldeia, Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez assinalam a proliferação de caixilharias de alumínio e das caixas com ar condicionado, o que é problemático para um conjunto classificado como Monumento Nacional.

Apontam ainda o Lagar de Varas a “necessitar de intervenção”, com “o telhado podre”. “Aflige a degradação do que foi feito e a falta de respeito pelo que foi feito”, acrescenta. Este espaço encontra-se encerrado, nota Alves Costa, assim como o Arquivo Epigráfico, que alberga “a maior colecção de epígrafes romanas da Península Ibérica”.

Os arquitetos consideram que “havia uma obrigação ética” de a autarquia os contactar, nomeadamente nas situações em que estavam em causa alterações em locais previamente desenhados por si. Segundo o Público, na carta enviada à autarquia, a dupla recorre à ironia, notando que “obrigações éticas” são procedimentos “provavelmente fora de moda”.

Questionada pelo Público, a autarquia de Idanha-a-Nova confirma que um conjunto de equipamentos culturais foram recentemente intervencionados, mas em articulação com a Direcção Regional de Cultura do Centro e a associação Aldeias Históricas de Portugal.

O município explica ainda que o “encerramento ao público da Sé Catedral, do Lagar de Varas e do Arquivo Epigráfico” é temporário e se deve à pandemia e refere que “fez tudo ao seu alcance para cumprir as regras do Código da Contratação Pública”.

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