O partido acusa o Governo de “falta de preparação” e questiona a falta de computadores e os atrasos na tarifa social da internet. Mas também a ausência de diretivas claras por parte do Ministério sobre os objetivos pedagógicos e as alterações curriculares necessárias até ao fim do ano letivo. Por Esquerda.net

O Bloco de Esquerda apresentou esta segunda-feira um requerimento na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência, Juventude e Desporto da Assembleia da República para que haja uma audição urgente do ministro da Educação a propósito do funcionamento do ano letivo.

O partido alega que “depois de uma interrupção de 15 dias, a escola retoma a atividade letiva num regime não presencial ainda com uma grande imprevisibilidade provocada não só pela pandemia, mas pela falta de preparação do Ministério da Educação”.

Passado “quase um ano depois de declarada a pandemia da Covid-19” não há “condições efetivas quer para o ensino presencial, quer para o ensino misto e não presencial” e “as variações da situação pandémica fazem prever que o ano letivo vai continuar a ser atribulado”.

Neste contexto é necessário que “o Governo dê diretivas claras às Escolas sobre os objetivos pedagógicos a atingir neste ano letivo e as alterações curriculares necessárias, e faça todos os possíveis para equipar a escola pública com os meios humanos e materiais necessários à contenção do agravamento das desigualdades sociais no acesso à educação”.

Também “é preciso clareza sobre a realização de exames nacionais e o regime de acesso ao Ensino Superior”, que na atual situação “se arrisca a ser um fator de agravamento das desigualdades”.

O requerimento demonstra ainda preocupação com os estudantes e professores sem acesso aos computadores que o governo prometeu e condena o atraso da implementação da tarifa social da internet, que só chegará no final do ano letivo se for cumprida a promessa mais recente do Governo.

No mesmo dia, o Bloco entregou outro requerimento para ouvir na Comissão de Educação os investigadores da Nova School of Business and Economics, do Ambition Institute e do European Center for Advanced Research in Economics and Statistics que fizeram o relatório “Crianças em Portugal e ensino a distância: um retrato“.

Joana Mortágua e Alexandra Vieira consideram que esse trabalho “traça um retrato das condições de vida das crianças menos favorecidas em Portugal e das desigualdades educacionais que existiam antes da pandemia” e que “nesse retrato são avaliadas as condições habitacionais e o entorno da residência, a alimentação, as condições socioeconómicas dos alunos e o seu impacto no desempenho escolar”.

Dado que “o conhecimento da situação real das crianças em idade escolar é fundamental para avaliar o funcionamento do presente ano letivo e as medidas a tomar no imediato e a médio prazo para reduzir as desigualdades sociais e o seu impacto no acesso à educação” será importante ouvir estes especialistas.

 

Publicado por Esquerda.net a 8 de fevereiro de 2021

 

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