Caminhada de protesto na zona da Mina de Gonçalo-Guarda

O Movimento ContraMineração Beira Serra, a Greve Climática Estudantil da Guarda e a Associação Guardiões da Serra da Estrela promovem a caminhada “Não às minas, sim à vida” como forma de protesto contra o Plano de Fomento Mineiro.

A iniciativa realiza-se no sábado, 21 de agosto, com ponto de encontro na Escola de Gonçalo, às 09h30.

Segundo a organização, a caminhada surge como forma de protesto contra o Plano de Fomento Mineiro que colocou 4788 quilómetros quadrados da região Beira Serra sob pedidos privados de prospeção e pesquisa. Esta área abrange um total de 15 zonas de 34 concelhos, bem como 3 zonas (Guarda-Mangualde, Argemela e Massueime) com uma área de 1536 quilómetros quadrados destinadas a concurso público internacional promovido pelo Governo português, e ainda 1 zona já em vias de exploração a céu aberto, também na Argemela, com 403,71 hectares.

“Este plano, que abrange outras áreas rurais do Interior do país, é um atentado aos direitos fundamentais plasmados na Constituição da República Portuguesa, nomeadamente à liberdade, qualidade de vida, saúde das populações e ao Ambiente, e compromete severamente o percurso de desenvolvimento sustentável destas regiões desenvolvido nas últimas décadas, alicerçado na qualidade de vida, do ambiente e dos produtos endógenos, na agricultura e no turismo”, defende o movimento.

A organização destaca o impacto que a mineração tem nos recursos hídricos. “Qualquer método de mineração implica consumos elevadíssimos de água, insustentáveis numa região sistematicamente em seca severa ou extrema. Concomitantemente, e face à diversidade de recursos minerais que se pretendem extrair, a água utilizada torna-se um efluente contaminado por metais pesados e ácido, cujo tratamento origina lamas tóxicas que deixam impactes negativos permanentes. Efluentes, lamas e resíduos inertes, armazenados em bacias de retenção, têm originado inúmeros acidentes gravíssimos (dos quais Brumadinho, no Brasil, está ainda seguramente na memória), depositando metais pesados e outros poluentes para as linhas de água envolventes, tornando-as impróprias para uso humano.”

Mas a mineração tem outros impactos, como a criação e depósito de poeiras nas áreas envolventes, que provocam problemas respiratórios nas populações e animais, e perturbam o crescimento das espécies vegetais. Situação agravada em zonas uraníferas, como é o caso da Beira Serra, cim risco acrescido por serem poeiras radioativas.

“A forma de mineração a céu aberto proposta pelo Governo neste plano de fomento mineiro tem consequências adicionais graves”, acrescenta também a organização, explicando que este método “causa a disrupção de todos os lençóis freáticos até à cota de exploração, expõe as pendentes à lixiviação de sulfuretos originando lixiviados ácidos altamente contaminantes dos solos e linhas de água envolventes e mutila de forma irreversível a paisagem que na nossa região é matéria-prima fundamental para o turismo sustentável e de Natureza, e também para a efectiva fixação de população.”

Assim, os coletivos que promovem a caminhada entendem que, ao contrário do que Governo e empresas querem fazer crer, “este ‘progresso’ não é desenvolvimento”, criará poucos postos de trabalho, todos eles precários, e com um horizonte temporal entre 10 a 20 anos, já terá destruído o tecido de micro e pequenas empresas no final desse período.

“As populações, que não foram nem consultadas nem ouvidas em todo este processo, têm o direito de rejeitar estes projectos na medida em que se trata da concessão de recursos públicos de um Estado constituído por todos os portugueses e, se contarem com o apoio dos seus autarcas, juntos poderão construir um futuro saudável, sustentável e próspero para o Interior rural que seja verdadeiro desenvolvimento e continue a atrair visitantes e população”, rematam.

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