Catarina Martins, Deputada e Coordenadora Nacional do Bloco de Esquerda, esteve este sábado, dia 20 de junho, em Mouraz e Dardavaz no concelho de Tondela, distrito de Viseu, um dos mais afetados pelos incêndios de 2017. 

A coordenadora bloquista esteve acompanhada por moradores da região e empresários da Casa de Mouraz, empresa de vinho orgânico que viu instalações e colheita afetadas por esta vaga de incêndios. Como testemunhou o empresário “para além de perdermos a vinha, perdemos o ecossistema, perdemos paisagem”, “o que temos hoje são eucaliptais completamente descontrolados”, afirmando que a agricultura é neste momento um “acto de resistência” em relação aos interesses da monocultura do eucalipto.

No segundo ponto de paragem, na Freguesia de Dardavaz, os moradores pronunciaram-se preocupados com as populações visivelmente cercadas por floresta e mato desordenados, essencialmente de eucaliptos, tanto de regeneração natural, como de plantações recentes de “hectares e hectares”, incluindo terrenos de gestão pública, como a atribuição dos terrenos de baldios a empresas de celulose. “A freguesia de Dardavaz foi das freguesias mais fustigadas pelo incêndio, passados 3 anos não se vislumbra qualquer gestão florestal. Estamos a ficar rodeados pelo eucalipto”.

Durante a iniciativa, a dirigente do Bloco defendeu que “não podemos descansar na prevenção e no combate aos incêndios” e referiu três preocupações muito claras. A primeira é que “muitas das populações que perderam tudo em 2017 não tiveram ainda apoio para reconstruir aquilo que perderam”. A segunda é que não está a ser feita a “reflorestação necessária”, sendo que continuamos a ter programas de reordenamento da floresta recentes “em que o eucalipto é a espécie prioritária”. “Não tem sentido”, frisou Catarina Martins. 

Em terceiro lugar, Catarina Martins enfatizou ainda que, do ponto de vista dos meios de combate, é necessário um reforço forte dos bombeiros “para que possam responder às duas crises que estamos a sofrer: a pandemia da covid-19 e os incêndios, que continuam a ser um problema em Portugal”.

Catarina Martins lembrou ainda que a população do interior é “duplamente fustigada neste momento”: “Aos problemas económicos e sociais da pandemia acrescentam-se os problemas não resolvidos da vaga de incêndios e da destruição do tecido económico que essa vaga de incêndios provocou”, assinalou.

“É importante que, no momento em que o país está concentrado, e bem, no enorme problema da pandemia da covid-19 não esqueçamos o interior, não esquecemos a necessidade de proteção do nosso território e não esqueçamos que os incêndios estão aqui outra vez”, defendeu.

O Bloco propõe que os programas para a floresta não sejam abandonados e sejam revistos tendo em conta, nomeadamente, o que o observatório de especialistas que foi criado na sequência dos incêndios tem vindo a propor. Em causa está, nomeadamente, o cumprimento, por parte do Estado, das suas obrigações na limpeza dos terrenos e apoio a essa limpeza. Os bloquistas esperam ainda que o orçamento suplementar sirva para capacitar os bombeiros dos meios necessários para responder aos incêndios, recordando que os mesmos têm sido confrontados com custos acrescidos para atender ao surto da covid-19.

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