No seguimento da reportagem “7 Vidas” do Interior do Avesso, o movimento Campanha Esterilização de Animais Abandonados (CEAA) pede esclarecimentos à presidência da Câmara Municipal de Viseu (CMV) sobre a gestão do CED, adoções, abates e envio de cães para a Holanda.

Através da reportagem 7 Vidas: as misteriosas politicas de bem-estar do concelho de Viseu, o CEAA tomou conhecimento de “graves acusações dirigidas contra a Associação ‘Cantinho dos Animais Abandonados de Viseu’ a quem a Câmara delegou as funções, atribuídas aos CRO, de captura, acolhimento e encaminhamento para adopção de animais de companhia abandonados e de implementação do CED, mediante a retribuição de 70 000 euros anuais.”

Nesse seguimento, o CEAA pede esclarecimentos sobre os seguintes factos:

  • “Desaparecimentos inexplicáveis de gatos das colónias e de gatos entregues directamente, por voluntários, na Associação Cantinho dos Animais, que não foram restituídos às colónias. Tratando-se de gatos assilvestrados, não adoptáveis, o que aconteceu a esses animais?”
  • “A Associação recusa-se a dar informações sobre o que acontece a esses gatos, dizendo que só dão informações a proprietários. Ora tratando-se de gatos de rua, sem proprietários, a Associação denota, com esta resposta, um total desrespeito pelos direitos dos cuidadores.”
  • “O gatil  está cheio ou, pelo contrário, não há gatos para adopção na Associação? As informações na reportagem são contraditórias, várias testemunhas referem que a Associação não dá animais em adopção a pessoas que ali se dirigem para o efeito.”
  • “E politica da Associação testar todos os gatos para FIV e FELV e abater os positivos. No entanto, a falta de transparência na actuação da mesma leva as pessoas a desconfiar que pode haver um abate indiscriminado de gatos sob o falso pretexto de que são positivos. Para além de que trata de uma medida errada, sacrificando inutilmente animais que sempre viveram nas colónias e que uma vez esterilizados deixam de ser transmissores desses vírus pois cessam os comportamento de risco (sexo, lutas…). O abate só se justifica se no acto da esterilização se constatar que o animal está doente e nunca deve ser praticado à revelia do cuidador que pode optar por dar acolhimento ao animal sem ser na colónia, até à sua morte natural.”

O CEAA aborda ainda as disparidades entre os números oficiais de abates e os testemunhos da reportagem. “Relativamente ao número de animais eutanasiados no concelho de Viseu, supõe-se que na Associação Cantinho de Animais uma vez que não existe CRO em Viseu, os relatórios da DGAV referem 11 casos de eutanásia em 2020 e 35 em 2019. Ora, nos depoimentos que se ouvem na reportagem são referidos também abates de cães por motivos que estão fora do âmbito do artº 11 da Portaria 146/2017,  para além do mistério que paira sobre o destino dos gatos não devolvidos às colónias. Será que estes números se encontram correctos?”

“Viseu é a Câmara que recebeu mais dinheiro em apoios do Estado nos anos de 2018, 2019 e 2020: 41 985.24 euros. No entanto, não se conhecem editais da Câmara a divulgar junto dos interessados as campanhas de esterilização realizadas, se se destinavam a cuidadores de gatos de colónias ou a animais de munícipes, à semelhança dos editais publicados por outras Câmaras”, estranha o CEAA no esclarecimento pedido à CMV. “Assim, pode V.Exª elucidar-nos sobre a proveniência dos animais que foram esterilizados ao abrigo dos Despachos 3283/2018, 2301/2019 e 6615/202 e se foi pedida alguma comparticipação aos donos?”

Por fim, o movimento questiona à Câmara de Viseu sobre “quantos canídeos estão a ser enviados mensal ou anualmente para a Holanda  e quais as entidades receptoras dos mesmos.”

Deixe o seu comentário

Skip to content