Cartazes com linha de comunicação sexista, espalhados na Escola Superior de Tecnologia da Guarda geram polémica entre alunas, mas também fora da escola. Uma das pessoas que denunciou nas suas redes sociais, Beatriz Realinho, falou com o Interior do Avesso.

O cartaz tenta, em inglês, transmitir comportamentos preventivos da transmissão do SARS-Cov-2 usando a piada “Avoid Touching Men. Instead, Follow Women”, que em português quer dizer “Evita tocar nos homens – Em vez disso, vai atrás das Mulheres”. Depois faz a desconstrução de ‘men’ e ‘women’ usando as letras destas palavras para descrever comportamentos ligados à prevenção e contenção do vírus da Covid-19.

O Interior do Avesso falou com Beatriz Realinho, uma jovem natural da Guarda, estudante de Ciência Política e Relações Internacionais na Nova FCSH, que está a divulgar imagens destes cartazes.

Para a Beatriz, estes cartazes, “representam como o machismo se encontra totalmente institucionalizado na nossa sociedade e instituições de ensino” e o que, para alguns “pode parecer um cartaz que informe para os cuidados a ter devido à pandemia Covid-19 de uma forma “engraçada”, na realidade não passa de  uma falta de informação e um perpetuar das atitudes machistas enraizadas”. Insiste dizendo que “representam apenas isso e nada mais para quem os vê, e não podem ser tolerados nem numa instituição de ensino, nem em lado nenhum”.

“Enquanto mulher considero este tipo de comunicação deplorável, porque mais uma vez apenas vêm perpetuar as desigualdades de género que existem na sociedade estruturalmente patriarcal.”

 

“‘Follow Women’ nunca pode ser visto de ânimo leve”, disse ao Interior do Avesso. Sobre a sua condição, e a sua visão pessoal disse-nos que “enquanto mulher sou oprimida todos os dias através das mais pequenas atitudes e estruturas da sociedade, mesmo sendo uma mulher privilegiada em relação a muitas das minhas parceiras, contudo sinto-me desconfortável quando vejo este tipo de comentários, cartazes, posts, etc”.

Antevendo a desvalorização que possa ser dada ao assunto, disse que “para alguns podem parecer ‘pouco’, mas querem dizer muito. Nenhuma mulher quer ser seguida, e esta linguagem apenas vem tornar aceitável um discurso machista e opressor, desigual, que não deve ter espaço nem nas nossas instituições de ensino”.

Beatriz Realinho

Beatriz Realinho

Deixe o seu comentário

Skip to content