Foto por Unidos Em Defesa de Covas do Barroso | Facebook

A cooperativa e os produtores de Boticas contestam o nome Barroso atribuído à mina de lítio prevista para o concelho. Defendem ser um “dano de marca” que pode afetar a imagem do mel e carne produzidos na região classificada como Património Agrícola Mundial.

“Pôr o nome do Barroso à mina é uma associação muito prejudicial para nós”, afirmou à agência Lusa Albano Álvares, presidente do conselho de administração da Cooperativa Agro Rural de Boticas, a detentora das Denominações de Origem Protegida (DOP) do mel e carne barrosãs.

Nesse sentido, adiantou que está a ser estudada uma ação judicial para travar a mina e impedir a utilização do nome Barroso, “que se confunde” com as duas DOP.

A exploração de lítio a céu aberto com o nome “Mina do Barroso”, está prevista para uma área de concessão de 593 hectares nas freguesias de Covas do Barroso e Couto de Dornelas, no concelho de Boticas, distrito de Vila Real, pela Savannah Lithium.

O Barroso, que engloba áreas dos municípios de Boticas e de Montalegre, é o único território português classificado como Património Agrícola Mundial, desde 2018, devido à forma tradicional de trabalhar as terras, de tratar do gado e pela entreajuda dos seus habitantes.

Para Albano Álvares, nas declarações que prestou à Lusa, a mina é “claramente incompatível” e “colide” com o Património Mundial.

Com sede em Boticas, a cooperativa trabalha com cerca de 250 produtores de mel, que possuem 120 mil colmeias, e 300 produtores de carne barrosã (espalhados por 21 concelhos de quatro distritos), com os produtos DOP (mel e carne) a representar um volume de negócios anual de 1,2 milhões de euros.

Por Covas e Dornelas, especificamente, distribuem-se cerca de 1.700 colmeias de 40 apicultores, onde se produzem 8 toneladas de mel por ano. Existem ainda 44 produtores de carne e cerca de 400 animais bovinos e 3.500 pequenos ruminantes.

Carlos Gonçalves, residente em Covas, tem 500 colmeias na serra do Barroso. Afirmou à Lusa que a mina vai afetar a sua atividade e a todos os que “dependem da vegetação e da serra para sobreviver”.

“É uma enormidade de serra que vai deixar de existir e depois não é só isso, são as poluições que vão vir, que se vão espalhar pela serra toda e afetar as flores. As abelhas vão fazer o mel aonde?”, acrescentou. “Indo isto [mina] para a frente é uma facada em toda a gente que tenha gado ou dependa da lavoura para sobreviver”, afirmou Carlos Gonçalves.

Nelson Gomes, presidente da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) e produtor de gado bovino, explicou à Lusa que, caso a mina avance, perdem “automaticamente 30%” das ajudas atribuídas pelo Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP). “Neste momento temos 560 hectares para fins de encabeçamento de animais e, automaticamente, 166 hectares deixam de fazer parte e isso significa uma perda de 30% nas ajudas dadas”, frisou.

A consulta pública do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da Mina do Barroso decorre até dia 2 de junho. De acordo com a Lusa, até ao momento foram submetidas 62 participações via Portal Participa.

 

 

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