Uma série documental da autoria de Ricardo Clara Couto e Nuno Costa Santos sobre a vida do arqueólogo e resistente antifascista Cláudio Torres, nascido em Tondela e a residir em Mértola, está disponível na RTP Play.

Este documentário, pelos próprios autores, é a “história de um homem exilado e de convicções inabaláveis, caracterizando o perfil social e político das décadas em que viveu. A história do arqueólogo, trabalhador incansável com uma visão diferente e revolucionária. E por fim, a história de amor que une todos estes aspetos e se consolida no alicerce de todas as aventuras e desventuras: a vida com Manuela Torres, sua companheira de sempre”.

Ao longo desta série documental podemos conhecer a vida que levou o “insubmisso, contestatário, frontal, criativo, obstinado e sempre revolucionário” Cláudio Torres a ser preso pela PIDE ainda na faculdade, às agruras das torturas e interrogatórios que sofreu bem como à “fuga mítica num barquinho de recreio e o longo exílio”.

Celebrou o 25 de Abril de 1974 em Paris, que lhe permitiu regressar a portugal e mais tarde distancia-se da vida académica e fixa-se em Mértola, terra que adotou como sua e onde durante mais de quatro décadas de trabalho, construiu um impressionante legado, partindo da convicção que “a cultura deve ser um instrumento de desenvolvimento do território, orquestrou um projeto onde Património, Arte, Tradição, História, Natureza e Investigação Científica se interligam num complexo museológico, capaz de transformar uma terra pobre e esquecida num destino obrigatório para os que admiram a cultura mediterrânica”.

Episódio 1:

Duração: 52”

Sinopse: Portugal, 1984. Numa estrada do sul do país, Cláudio Torres e Serrão Martins, presidente da Câmara de Mértola, fazem os primeiros quilómetros de uma viagem que haveria de mudar para sempre a vida e o futuro da remota vila alentejana. Mas a verdade é que esta jornada extraordinária começa muitos anos antes, quando um jovem estudante, neto de um monárquico e filho de um comunista, interioriza os valores e os princípios de conduta que haveriam de moldar o seu futuro. A partir daí, a sua vida será marcada por uma verticalidade intransigente, um apreço sem preço pela verdade e uma vontade indómita de viver segundo os ideais que perfilha.

São eles que o levam à militância clandestina na célula de Aveiro do Partido Comunista, às atividades subversivas nas ruas e na Faculdade de Belas Artes do Porto, à prisão, à tortura, à resistência sem quebras.

Ao seu lado, encontramos Manuela Barros Ferreira, narradora desta história e testemunha privilegiada da luta sem quartel que o marido travou contra um regime retrógrado, repressivo e autoritário.

Episódio 2:

Duração 52”

Sinopse:

Portugal, 1984. Mais do que uma mera viagem para Mértola, a jornada só de ida de Cláudio Torres reflete a capacidade que este adquiriu de largar tudo, sem olhar para trás. E de abraçar o que encontra pela frente, dedicando-se por inteiro a cada novo desafio. Foi assim que, depois de sofrer a tortura, o isolamento e as agruras da prisão, Cláudio recusou combater na Guerra Colonial e tomou o caminho do exílio. Para isso, viveu uma incrível aventura, ao lançar-se ao mar num barquinho rumo a Marrocos, na companhia da mulher grávida e de outros companheiros, alguns dos quais refratários como ele. Sobreviveram a correntes contrárias, a tempestades homéricas e até à implacável perseguição da polícia marítima franquista, que tentou afundar o barco, e entraram sem pedir licença pelo porto de Rabat a dentro. Sem um tostão no bolso, o grupo experimentou a fome e a pobreza, mas rapidamente contou com a solidariedade dos que, tal como eles, lutavam contra a opressão e o colonialismo.

Neste ambiente, a capacidade de liderança e o dinamismo de Cláudio evidenciaram-se e este depressa se viu envolvido em acontecimentos históricos, como a “Operação Vagô” e o Assalto ao Quartel de Beja, tendo privado com figuras como Humberto Delgado e Amílcar Cabral, entre outros destacados antifascistas.

Episódio 3:

Duração 51”

Sinopse:

Portugal, 1984. Livre de constrangimentos académicos, Cláudio Torres segue viagem para Mértola, enquanto planeia o derradeiro projeto político: promover o desenvolvimento através da valorização da cultura e do património da vila alentejana. Esta visão integradora é construída ao longo da deambulação de Cláudio pelos países de exílio. De Marrocos, guardou um conhecimento do mundo islâmico, que viria a marcar a sua carreira e a tese disruptiva que defende sobre a dominação árabe da Península Ibérica.

Na Roménia, onde durante uma década fez rádio em português para os exilados e estudou História de Arte, alimentou o sonho de um “socialismo de rosto humano”, que viu ser esmagado pelos tanques do Pacto de Varsóvia. Mas apesar da invasão da Checoslováquia ter ditado a rutura com o Partido Comunista, nem por isso determinou a perda de fé nos ideais revolucionários, que se tornaram mais fortes com o regresso a Portugal e a participação ativa no PREC.

Quando Cláudio chega a Mértola cumpre-se, por inteiro. E ao fazê-lo ajuda a cumprir também o território a que dedicou quatro décadas da sua vida, a que chama casa e a que o seu nome ficará ligado para sempre.

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