Tem vindo a ser denunciada a contaminação dos rios Criz, Dão e da Albufeira da Barragem da Aguieira por descargas legais e ilegais, sendo a situação que mais preocupação acarreta a da Ribeira de Dardavaz, tanto pelo impacto ambiental como pelo perigo para a saúde pública das populações.
As descargas têm origem na Zona Industrial Municipal da Adiça, concelho de Tondela, nomeadamente na ETAR Municipal instalada nesta Zona Industrial. Outra proveniência são as descargas ilegais da indústria nos coletores das águas pluviais.

O presidente da autarquia, José António Jesus, já admitiu que a ETAR Municipal não está a funcionar em pleno mas desvalorizou a situação dizendo que a espuma que se pode ver na ribeira tem origem no impacto da água sobre as pedras, argumento que não é aceite pela população.

Contactado pela Lusa afirmou que os problemas da ribeira de Dardavaz não têm origem na ETAR, cuja descarga é exatamente frente à povoação, mas que estarão relacionados “com a ribeira e com águas pluviais que, pontualmente, podem conter alguma ligação indevida de uma ou outra empresa” e assegurou que o município “levantou os respetivos autos, comunicou às respetivas entidades e articulou-se com outros organismos da administração central”.
À afirmação do autarca de que “há soluções que não se conseguem implementar do dia para a noite”, Carlos Couto da Distrital do Bloco de Esquerda de Viseu reage dizendo que

as primeiras denúncias datam de 2015 e que desde essa altura as várias denúncias que o Bloco de Esquerda fez à APA – Agência Portuguesa do Ambiente e SEPNA-GNR - Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente, não obtiveram resposta.”

Dado o arrastar desta situação e a ausência de soluções o Bloco de Esquerda em conjunto com a população realizou análises de água com o objetivo de aferir a qualidade da água para consumo humano, rega e consumo animal. Carlos Couto afirma que

os resultados foram conclusivos confirmando que a água não está em condições em vários parâmetros, tanto nas análises microbiológicas como nas físico-químicas.”

Do relatório da empresa de análises destaca: “…claramente as duas águas (riacho e poço) são impróprias para consumo quer humano quer animal uma vez que existe uma elevada contaminação bacteriológica nos dois sistemas pelo que em nenhum momento aconselhamos o consumo desta água. Existe, inclusivamente, contaminação que pode ter origem fecal.”
“Em termos físico-químicos (…) Os valores do manganês e ferro (poço) acrescido da cor e turvação (riacho) encontram-se fora dos limites e levam a que a água não cumpra o referido Dec-Lei. [Dec-Lei 152-2017]”
Questionado sobre a evolução desta situação Carlos Couto avança que vão “entregar nova pergunta ao governo para saber o que pretendem fazer para que esta situação seja resolvida de forma célere, mas também para perceber se a ETAR do Município se encontra licenciada e, sabendo as autoridades que a mesma continua a descarregar para esta ribeira, se o município ou as empresas envolvidas já foram de alguma forma punidas por continuar a incumprir.”

(Escrito por MFS)

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