Comissão de Trabalhadores desafia a administração dos CTT a retirar a proposta de distribuir 16.5 milhões aos acionistas e usar antes esse dinheiro para minorar os efeitos da crise na empresa. Bloco questiona Governo.

Em comunicado que pode ver abaixo, a Comissão de Trabalhadores (CT) desafia o conselho de administração dos CTT a retirar a proposta de distribuição de dividendos e a manter o montante na empresa.

A administração dos CTT tem prevista a distribuição de dividendos de 11 cêntimos por ação dos resultados de 2019, o que significa mais 10% do que no ano anterior.

“Esses 16,5 milhões serão bem mais úteis se ficarem na empresa, neste quadro de crise, provocada pela Covid-19, cujo impacto nas receitas da empresa será inevitável e extremamente negativo”, salienta a CT.

Os trabalhadores sugerem ainda ao conselho de administração que abdique dos bónus que as Assembleias gerais lhes costumam atribuir.

“Em vez de despedimentos, rescisão de contratos de prestação de serviços, pressão sobre os trabalhadores para meterem férias ou outras medidas” que os prejudicam, os membros da administração “podem abdicar daquela variável das vossas remunerações, que habitualmente a Assembleia Geral vos atribui”, refere o comunicado.

A CT apela ainda à administração que “seja consequente” e “prove” que está disposta a contribuir com a sua quota-parte para “ultrapassarmos este período que se reveste de enormes e graves perigos sociais e económicos para os trabalhadores dos CTT e os portugueses em geral”.

Bloco questiona Governo

Em pergunta, assinada pela deputada Isabel Pires, o Bloco interroga o Governo se considera aceitável a “estratégia de distribuição de dividendos”, se vai tomar alguma medida, “junto da administração [dos CTT] por forma a articular formas de atuação num momento de pandemia” e se vai implementar “uma medida de suspensão da distribuição de dividendos nos CTT e de forma mais alargada a todo o tecido empresarial”.

O Bloco pergunta ainda “que medidas preventivas já foram e estão a ser implementadas nos locais de trabalho dos CTT, nas suas diferentes vertentes: trabalho administrativo, estações de correios, giros dos carteiros e centros de distribuição” e que medidas o Governo vai tomar junto da administração dos CTT, “para resolver os problemas identificados, nomeadamente sobre a inexistência de mecanismos de proteção individual e reorganização do trabalho por forma a evitar riscos de propagação”.

No documento, o Bloco de Esquerda considera incompreensível a distribuição de dividendos, “quando ainda falta garantir condições condignas aos e às trabalhadoras por forma a garantir a sua segurança e a preservação dos serviços essenciais”.

Notícia esquerda.net

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