“Grândola, Vila Morena” ecoa na luta contra o lítio

Foto por: José Antonio Gil Martínez Licença: https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/deed.en Link original: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:MontalegreCastle3.jpg
Foto por José António Gil Martínez
Após décadas encerrado, o Castelo de Montalegre reabriu as portas ao público no passado dia 9 de Junho. Este foi o momento escolhido pela população para protestar contra a mina a céu aberto que está prevista para a freguesia de Morgade. No momento em que Orlando Alves, presidente do Município, discursava, os presentes cantaram “Grândola, Vila Morena”, a canção de Zeca Afonso, usada como senha na Revolução de Abril e em tantas outras lutas.
“Estão a passar a ideia de que nós somos uns incultos, que não estamos informados e nós queremos demonstrar a nossa posição que é contra a exploração mineira tão próxima das localidades. As pessoas aqui são pobres, mas são felizes”,afirmou Nuno Afonso, habitante de Rebordelo, que defendeu que a região já deu “tanto, as barragens, os parques eólicos e nada ou pouco recebemos em troca. Já perdemos os melhores terrenos para as albufeiras”.
Foi assinado em março o contrato entre o Estado português e a empresa Lusorecursos para a exploração da mina do Romano (Sepeda) na freguesia que agrega as aldeias de Morgade, Carvalhais e Rebordelo. No concelho existem já mais seis pedidos de prospeção para o lítio e estão identificados mais 20 pontos de interesse mineiro.
“Nós estamos contra a mina, mas a preocupação não deve ser só nossa porque há outros pedidos de prospeção para o concelho que poderá ficar como um queijo suíço. Ficará completamente perfurado”, afirmou Armando Pinto, da Associação Montalegre Com Vida, associação em fase de legalização, criada para levar a cabo esta luta.
A esta demonstração de protesto por parte da população o autarca afirmou que “aquilo que estão neste momento a fazer é dizer não por não e aquilo que eu digo é esperemos com serenidade, aguardemos que seja apresentado aquilo que é o suporte técnico para que possamos tomar decisões”. Segundo a empresa Lusorecursos o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o plano de lavra estão neste momento em fase de elaboração.
Ainda segundo as palavras do autarca o protesto resulta de um “momento em que o coração e o medo ainda podem falar, o coração e o medo que normalmente nunca são bons conselheiros”. Mas na perspetiva das gentes da terra “isto vai ser uma catástrofe, dentro de 10 anos ninguém vai conseguir viver nesta região se isto é para continuar. Então é não, e não, e não, e ponto final”, salientou José Manuel, residente na vila de Montalegre.

(Escrito MFS)

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