Foto de Foro Extremeño Antinuclear

O governo português e espanhol encontraram-se na Guarda. Foram recebidos por trabalhadores dos bares dos comboios que ligam os dois países e que têm contratos suspensos, por manifestantes pelo encerramento da Central Nuclear de Almeria e contra a exploração de urânio em Retortillo e outros contra as portagens nas ex-Scut.

De um lado, os governos português e espanhol reuniam-se oficialmente na 31ª Cimeira Ibérica, com direito a hino e fotos de circunstância. Do outro, a imagem era diferente. Mas o protesto era também ele ibérico porque há direitos que atravessam as fronteiras. E este sábado, na Guarda, os manifestantes saíram à rua em defesa de várias causas diferentes que dizem respeito a ambos os lados da fronteira.

Uma delas era a dos trabalhadores da Serviral, a empresa responsável pelos bares e alojamento no serviço Lusitânia e Sud-Express de ligação entre Portugal e Espanha. O serviço foi suspenso devido às medidas de restrição no âmbito do combate à covid-19 e os seus contratos também. Temem agora um despedimento coletivo.

Fernando Pinto, do Sindicato de Hotelaria do Sul, disse à Lusa que “é inconcebível que as fronteiras em toda a União Europeia estejam abertas para os comboios e a única que está fechada é [entre] Portugal e Espanha”. Os trabalhadores consideram portanto possível reabrir os serviços em condições de segurança.

Em termos mais gerais, a União de Sindicatos da Guarda da CGTP colocou ao governo outras questões de âmbito laboral, tendo entregue ao governo português um documento com medidas para “valorizar quem trabalha e a produção nacional”, defendendo serviços públicos e as funções sociais do Estado.

O Movimento Ibérico Antinuclear também marcou presença tendo elaborado um documento que pretendia entregar aos governos de ambos os países em defesa do encerramento da Central Nuclear de Almaraz e contra a exploração de uma mina de urânio em Retortillo, ambas junto à fronteira com Portugal.

Ao mesmo tempo, também a Plataforma P’la Reposição das Scut´s nas autoestradas A23 e A25 fazia ouvir a sua voz na defesa do fim das portagens.

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