Na semana passada no Rio Corgo, que atravessa a cidade de Vila Real, foram detetados peixes mortos em quantidade numerosa. O núcleo concelhio do Bloco de Esquerda de Vila Real posicionou-se sobre o sucedido em comunicado, considerando que o diagnóstico e resolução do problema é competência da autarquia.

Segundo o Bloco de Esquerda, os problemas com o curso de água não são novidade, sendo frequente a observação de espuma, alteração de cor e odor desagradável. O SEPNA (Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR) já foi alertado para este facto, mas ainda não apurou os responsáveis pelas descargas ilegais.

Apesar das promessas de investimento na rede de saneamento anunciadas há 3 anos, tal não saiu do papel. “Há 3 anos o Presidente do Município anunciou com pompa e circunstância um investimento de perto de 20 milhões de euros para ampliar a rede de saneamento do concelho e promover a despoluição da bacia do rio Corgo. O objetivo seria reduzir o recurso às fossas individuais, e evitar o consequente perigo de contaminação dos aquíferos e águas superficiais, além do impacto na saúde pública devido à drenagem para valas a céu aberto e para o próprio rio. Este ecossistema, tal como sabemos, especialmente no período estival e na zona de Codessais, é utilizado por milhares de pessoas”, pode ler-se no comunicado.

Mas também neste período foram registados problemas com o rio, “em pleno período eleitoral”, “o próprio Município esvaziou o açude, para mostrar alguma obra, levando à morte de inúmeros bivalves e peixes. Um mau exemplo para o Centro de Ciência que promove a biodiversidade no Rio Corgo.”

O Bloco demonstra preocupação, “sabendo que a qualidade microbiológica do rio deixa muito a desejar”, por se estar a aproximar “um período de intensa utilização desta massa de água neste troço de Codessais”, sugerindo que, pelo menos, “fossem colocados avisos no sentido de informar sobre a qualidade da água.” No comunicado é salientada a preocupação “com a saúde pública da população e alerta para a necessidade de interditar possíveis banhistas para se refrescarem” naquelas águas, correndo “sérios riscos de verem o que julgavam ser um dia agradável transformar-se num perigo para a sua saúde.”

Recordam ainda que existe a ETAR de Vila Real, em funcionamento desde 2004 que equivale a um investimento de 5 milhões de euros, “para onde estão a ser drenados todos os esgotos dos aglomerados urbanos ao longo dos rios Corgo e Cabril. Todavia, é também inexistente a informação à população da eficácia dos níveis de tratamento dos efluentes.” Acresce ainda aos problemas do Rio Corgo “que os lixiviados tóxicos do aterro municipal são drenados para a Ribeira de Paúlos, um pequeno afluente do Corgo”, situação que provoca o descontentamento dos moradores e na qual as autoridades ainda não atuaram.

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