Vulgarmente designada como ‘vespa asiática’, esta espécie invasora encontra-se em Portugal há cerca de dez anos e tem causado muitos estragos, sobretudo no Norte do país. Por Esquerda.net

“A vespa asiática ou velutina provocou uma enorme quebra na produção de mel, sobretudo no Norte do país, onde está muito presente”, afirma João Valente, presidente da Associação de Apicultores do Norte de Portugal (AANFP), em declarações à agência Lusa. Este ano, a quebra de produção na zona norte do país oscila entre os 40 e os 50%. A quebra de produção não é transversal a todo o país, visto que a vespa velutina está mais presente no norte do que no sul.

Além da diminuição de produção, a vespa velutina causa mais danos aos apicultores, relacionados com o aumento de despesas na manutenção dos apiários. Devido à presença da vespa, os apicultores têm de fazer mais deslocações entre casa e apiários, que regra geral estão numa zona afastada, para prestar uma assistência às abelhas mais contínua. A presença da vespa velutina obrigou também a fazer mudanças na produção de colmeias que, normalmente, acontece na primavera e agora foi antecipada.

João Valente refere ainda que era na altura da primavera que se procedia à renovação do enxames, “ou seja, que produzíamos outras colmeias, mas tivemos de fazer alterações e antecipar esse processo para fora da época da incidência da vespa asiática”, explicou, acrescentando que a renovação fora de época dificulta o trabalho dos apicultores porque o tempo é mais frio e têm de criar estruturas mais quentes para ter as abelhas.

“Há muitos apicultores que estão a deixar de o ser”, conclui João valente, acrescentando que “o principal malefício da vespa não é só comer as abelhas, mas tudo que sejam insetos alados. E isso significa uma diminuição da polinização, em virtude de um decréscimo de insetos. Essa é que devia ser a preocupação a ter agora em conta e não só quando se perceber que as macieiras não produzem maçãs”.

O presidente da Associação de Apicultores do Norte de Portugal considera importante uma atuação organizada para fazer face à vespa velutina, referindo que “a atuação devia ser antes de elas fazerem ninhos e isso era possível”.

A Vespa velutina chegou a Portugal em 2011, tendo sido identificada primeiro no norte do país. Em fevereiro de 2016, a União Europeia declarou a vespa velutina como espécie invasora.
Esta espécie reproduz-se muito e adaptou-se bem às condições existentes no nosso país, seja em meio rural, seja em ambiente urbano. A vespa velutina preda artrópodes variados, com maior incidência em himenópteros, como as abelhas polinizadoras. Contudo, esta espécie não faz polinização. Perante as condições favoráveis que encontra em Portugal, a vespa velutina expande continuamente a sua área de ocorrência, causando impacto em zonas cada vez mais alargadas. Esta propagação traduz-se em ameaças para o meio ambiente, para a agricultura, para a saúde pública e para a apicultura. Os riscos para o meio ambiente resultam de se tratar de uma espécie invasora, predadora das abelhas e de outros insetos, pelo que tem efeitos negativos sobre a biodiversidade, em geral, e sobre a entomofauna autóctone, em particular.

 

Publicado por Esquerda.net a 23 de março de 2021

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