“PS e PSD juntaram-se contra Bloco para impedir o respeito pela carreira dos professores”

Catarina defendeu que “não há democracia e não há futuro sem uma Escola Pública forte” e assinalou que, no seu programa, o Bloco defende propostas muito claras para que haja professores nas escolas e para que todas as crianças e jovens tenham direito a uma educação da melhor qualidade.
Catarina Martins – Foto de Pedro Gomes Almeida

Catarina defendeu que “não há democracia e não há futuro sem uma Escola Pública forte” e assinalou que, no seu programa, o Bloco defende propostas muito claras para que haja professores nas escolas e para que todas as crianças e jovens tenham direito a uma educação da melhor qualidade.

No início de um encontro com docentes, Joana Mortágua frisou que é preciso contratar ou recuperar para a Escola Pública muitos professores que saíram empurrados pela precaridade e baixos salários, e alertou para o risco de regressarmos aos anos 80, com docentes não profissionalizados não especializados.

De acordo com a dirigente bloquista, o programa e as propostas do Bloco pretendem impedir que haja um recurso a empresas que prestam serviços de docência temporária e aos “professores tarefeiros”.

Também Alexandra Vieira reforçou a ideia de que é necessário contrariar as derivas do governo e da direita no sentido de contratar externamente serviços essenciais.

A deputada fez ainda referência às dezenas de iniciativas online das Jornadas de Educação do Bloco, que se realizaram nos últimos dois anos, indicando que estas foram bastante “enriquecedoras”.

“Pedimos tudo e mais alguma coisa à Escola e não lhe damos as mínimas condições”

Catarina Martins, por sua vez, afirmou que a Escola Pública em Portugal é, apesar de todas as dificuldades, “das melhores coisas que tem a nossa democracia”.

A dirigente bloquista destacou que os professores e outros trabalhadores das escolas têm “feito autênticos milagres” e que “pedimos tudo e mais alguma coisa à Escola e não lhe damos as mínimas condições”.

Catarina afirmou que quando alguém diz que a prevenção da doença, a política cultural, o combate à discriminações,  por exemplo, começam na escola tem toda a razão. Mas lamentou que tenham tirado a democracia à escola, porque não tem gestão democrática; que exista “um entrave absoluto em adequar currículos”, que continuam a ser patriarcais, eurocêntricos, heteronormativos, e que continuam a reproduzir as desigualdades e as discriminações; e que as escolas não tenham condições para ajudar as crianças a lidar com a informação “esmagadora” a que hoje têm acesso.

Os professores, “além de terem de ensinar uma geração do século XXI com instrumentos que são do século XX, ou, às vezes, até de lá mais atrás, têm também de ser os administrativos, os auxiliares, os técnicos de informática, o psicólogo, o enfermeiro, o assistente social”, apontou a coordenadora do Bloco. De acordo com Catarina Martins, não é possível pedir a uma pessoa que faça tanta coisa, crescentemente com mais alunos por turma e com mais alunos no ano letivo.

“Queremos uma relação de aprendizagem que seja próxima, e perguntamo-nos como é que um professor consegue ter uma relação próxima com 300 alunos num ano”, referiu a dirigente bloquista.

Catarina avançou ainda que temos “desafios novos para que a cidadania seja plena”, para que as crianças com deficiência, com diversidade funcional, não tenham “uma cidadania de segunda, não estejam à parte”. Mas “os meios objetivos das escolas não o permitem”, alertou.

A coordenadora do Bloco lembrou que Portugal é um dos países da OCDE com menos qualificações, mas que também gasta menos em Educação do que a média da OCDE.

Catarina fez referência aos problemas da carreira que têm afastado tanta gente da profissão e recordou que “a maioria absoluta do PS tentou criar uma carreira dupla que humilhou os professores”. “Lembramo-nos de Maria de Lurdes Rodrigues e da campanha que fez contra os professores. Sabemos que uma maioria absoluta é um perigo para os docentes. Lembramo-nos também de Nuno Crato e sabemos que a direita”, que disse sempre que existiam professores a mais, “não é resposta”, vincou.

“Quando o Bloco esteve tão perto de conseguir o respeito pela carreira dos professores, PS e PSD juntaram-se” para impedi-lo, assinalou.

A dirigente bloquista, lembrando que 1% dos professores tem menos de 30 anos, e que a maioria tem mais de 50, afirmou que “é previsível que metade dos professores se reformem ainda nesta década”. “Se já há hoje muitas crianças que não têm os seus professores, teremos muitas mais crianças sem professores se nada for feito muito rapidamente”, advertiu.

Catarina Martins explicou que o Bloco defende propostas muito claras para que haja professores nas escolas e para que todas as crianças e jovens tenham direito a uma educação da melhor qualidade.

“Não aceitamos, como PS e PSD no seu programa, uma espécie de resignação”, e que, sistematicamente, “existam alunos sem professores”. “Precisamos de vincular mais professores, de apoiar os docentes deslocados e de deixar de lhes pedir para pagarem para trabalhar”, realçou.

O Bloco quer garantir uma formação pedagógica adequada e o respeito pela carreira de quem trabalhou toda uma vida.

Sublinhando que “não há democracia e não há futuro sem uma Escola Pública forte”, a dirigente bloquista afirmou que o Bloco apresenta “um programa para a renovação do corpo docente, e para uma renovação de uma escola para o século XXI”, que conta com “o contributo informado, generoso e muito estudado de tantos e tantas docentes que se empenharam neste processo”.


Notícia publicada no esquerda.net

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