Foto de Vitor Oliveira (Pormenor)| Flickr

A reactivação de uma antiga pedreira em Fiais da Telha, concelho de Carregal do Sal, tem preocupado as populações residentes. Para além de estar próxima de vários terrenos agrícolas e áreas de pastagem, a alegada pedreira situa-se numa zona extremamente sensível, onde se encontram várias espécies endémicas e protegidas da Rede Natura 2000, e em pleno Circuito Pré-Histórico Protegido Fiais/Azenha. O Bloco de Esquerda levou o assunto à Assembleia da República. 

Através de uma pergunta ao Governo que o Interior do Avesso teve acesso, o Bloco de Esquerda assume ter recebido várias denúncias e ao dirigir-se ao local confirmou a presença de uma empreitada a cargo da empresa Socitop, tal como a presença de máquinas pesadas. O local em questão está localizado numa antiga pedreira que está desativada há pelo menos 45 anos.

A alegada pedreira encontra-se em pleno Circuito Pré-Histórico Protegido Fiais/Azenha que apresenta um autêntico parque megalítico composto por vários exemplares de antas e dólmens. Também é um espaço inserido na Rede Natura 2000 e protegido pelo ICNF já que é considerado importante para a conservação da salamandra-lusitânica e para a preservação de uma das maiores manchas de Pinheiro Bravo do país. 

Outra espécie protegida e endêmica da zona é o Narciso do Mondego, que ocorre exclusivamente ao longo do curso médio da bacia hidrográfica do rio Mondego (encostas dos vales dos rios Mondego, Seia e Cobral). O Sítio de Interesse Comunitário Carregal do Sal, incluído na Rede Natura 2000, foi criado e delimitado fundamentalmente devido à presença desta planta.

Tanto quanto apurou o Bloco, esta empreitada não terá parecer positivo, nem licenciamento, nem sequer enquadramento no PDM, que delimita a área como de protecção natural.

Assim, os deputados do Bloco de Esquerda Maria Manuel Rola e Nélson Peralta questionam o Ministério do Ambiente e Acção Climática e querem saber se a tutela tem conhecimento desta situação, se existe algum pedido de prospecção e pesquisa ou exploração para essa zona, se existiu algum pedido de reativação da pedreira, e ainda se esta empreitada tem licenciamento.

 

Escrito por DG

Nota editorial
Por lapso a foto que acompanhava este artigo inicialmente era de uma pedreira da empresa Tecnovia, o que não corresponde ao conteúdo da notícia. A equipa editorial do “Interior do Avesso” lamenta profundamente o sucedido assumindo este erro editorial.

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