Reclamações de consumidores cresceram em 2019

Foto de Ricardo Bernardo | Flickr
No ano passado, houve mais de 101 mil queixas no Portal da Queixa. 275 por dia. Os CTT foram a empresa mais visada. Televisão e telecomunicações, correios, alguns serviços públicos ocupam o topo dos setores sobre os quais os consumidores mais reclamaram.

As reclamações de consumidores no Portal da Queixa subiram, em 2019, 13,8% relativamente ao ano anterior. As telecomunicações com 11270 registos são o setor que gera mais queixas dos consumidores em Portugal. Mas o setor das entregas está em crescimento forte. Em termos de empresas, os CTT são “campeões”. Entre 2018 e 2019, as queixas aumentaram 17,9%, totalizando 6293.

Os dados constam do Portal da Queixa e foram compilados pelo Diário de Notícias e Dinheiro Vivo. Contas de 2019 fechadas, houve 101033 reclamações, uma média de 275 por dia.

O setor das telecomunicações continua a ser considerado o pior do ponto de vista dos consumidores. Mas de um ano para outro subiu apenas 0,8%. Destaque pela negativa para a MEO, com 4675 queixas. O que até significa um recuo de 12,2%. Por sua vez a NOS aumenta 8,33%, com 2977 queixas; a Vodafone 39%, com 2166 queixas. Nas comunicações, TV e media assinala-se a descida do serviço de Televisão Digital Terrestre: com apenas 38 queixas, uma diminuição de 44,12%.

Uma subida maior deu-se no setor do Correio, Transporte e Logística, com mais 27,7% queixas. O segundo maior dos setores em termos de reclamações contabilizou 10 647 registos. A maior parte, 59,1%, concentrados numa única empresa: os CTT.

Mas nem apenas empresas privadas pertencem ao ranking. O terceiro setor que viu serem apresentadas mais queixas é o da Administração Pública com um crescimento grande de 30,1% (9184). Os atrasos nas pensões e as reclamações sobre ADSE dominam. Mas as reclamações contra os serviços da Segurança Social até desceram em geral. Foram 7,49%. Já as Câmaras Municipais subiram 14% e tiveram 1832 reclamações. O IMT, com as reclamações sobre cartas de condução subiu 185% e o SEF, com as dificuldades de agendamento no topo das preocupações, subiu 128%.

Por sua vez, os transportes públicos subiram 22,4% (um total de 5875). Atrasos, supressões e greves foram motivo para 5875 queixas com a CP à frente, 545 reclamações, mas tendo a empresa diminuído o registo de 2018: este ano houve menos 7,5% queixas. Já a TST aumentou as queixas em 150% para 393. SMTUC subiu 131% para 67. Carris e Metro de Lisboa aumentaram 27 e 21% de queixas respetivamente.

Outra tendência que é visível é a subida de queixas contra plataformas online de transporte como a Uber e a descida de queixas contra o serviço de táxis. A Uber teve 506 queixas, mais 118,1%, ao passo que a ANTRAL teve 93 queixas, menos nove por cento.

Seguem-se o comércio de tecnologia (4840 mais 25,85%); os Bancos, Financeiras e Pagamentos (3816 mais 39,09%); Água, Eletricidade e Gás (3522 menos 7,53%); Comércio, Moda e Vestuário (3.179 mais 66,6%); Hotéis, Viagens e Turismo (2989 mais 13,69%); Seguradoras (2661 mais 24,93%); Hiper e Supermercados (2045 mais 25,54%) e Saúde (1883 mais 16,96%).

Artigo publicado em Esquerda.net

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