A recuperação e musealização da Casa do Passal, em Cabanas de Viriato (Carregal do Sal), onde residiu Aristides de Sousa Mendes, vai custar 1 milhão de euros, no quadro das atividades previstas no Programa Nunca Esquecer, ligado à memória do Holocausto. A conclusão da musealização chegou a estar prevista para 2018.

A casa onde residiu Aristides de Sousa Mendes, diplomata que salvou milhares de vidas ao conceder vistos na Segunda Guerra Mundial, foi considerada património nacional de 2011, através do Decreto n.º 16/2011, de 25 de maio. Continua à espera de obras de requalificação e musealização apesar da conclusão deste projeto ter estado prevista para 2018. A primeira fase de intervenções, ao nível das paredes exteriores e cobertura, foram feitas em 2014.

Segundo notícia do Jornal do Centro, a verba foi avançada pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, na sessão de apresentação do Programa Nunca Esquecer, aprovado numa resolução do Conselho de Ministros de 25 e que tem como comissária a investigadora Marta Santos Pais.

O orçamento para o Programa “significará um investimento de milhões de euros”, face às diversas atividades que se vão organizar, previsivelmente a partir de 2021, e que envolvem inúmeras instituições e agentes culturais e académicos, explicou Augusto Santos Silva.

“Sobre as questões de natureza financeira e orçamental, o princípio que obedece a este programa é o de que cada uma das instituições participantes integra nos respetivos orçamentos os custos em que incorre com a sua participação neste programa. Mas estamos a falar de um conjunto de atividades que, no total, significarão um envolvimento em termos de recursos financeiros mobilizáveis na ordem de milhões de euros. Essa é a unidade de referência”, explicou.

Exemplificando que “basta pensar em que um dos projetos mais importantes do programa, que é o de recuperação e musealização da Casa do Passal [em Carregal do Sal], a residência de Aristides de Sousa Mendes e da sua família, conduzido pelos ministérios da Cultura e da Coesão Territorial, significará um investimento na ordem de um milhão de euros”.

Na apresentação, a comissária Marta Santos Pais explicou em que consiste o Programa, destinado a “[lembrar] os anos dramáticos da Segunda Guerra Mundial, o extermínio de milhões de judeus, a perseguição e morte de milhares de tantos outros indesejáveis, incluindo milhares de ciganos, portadores de deficiência e homossexuais, o sofrimento de inúmeras vítimas, as vagas de refugiados que procuraram abrigo em Portugal e a solidariedade de cidadãos e de organizações às famílias em fuga”.

Ainda segundo a comissária, o projeto pretende ainda também recordar a ação de “muitos salvadores”, que, “correndo sérios riscos e com sacrifícios pessoais” protegeram as vítimas das políticas de perseguição nazi. Sendo neste âmbito que se enquadra Aristides de Sousa Mendes, que emitiu milhares de vistos como cônsul de Bordéus, desobedecendo a ordens diretas de Oliveira Salazar. 

Marta Santos Pais lembrou outros casos de “salvadores” portugueses, como o dos embaixadores de Portugal em Budapeste, Carlos Sampaio Garrido e Alberto Teixeira Branquinho, e o padre Joaquim Carreira, em Roma.

O programa, recorda o terror do Holocausto mas também tem uma “visão de futuro”, pretendendo intervir em áreas como o conhecimento e investigação, educação e formação, memória e reconhecimento institucional e ainda divulgação do reconhecimento e da homenagem, a nível nacional e local, de “portugueses salvadores e de vítimas do regime nazi”.

É neste sentido que o programa será trabalhado durante o próximo ano e meio em estreita relação com agentes locais, para que rapidamente seja implementado e assim “nunca esquecer as atrocidades do passado e a ação corajosa de portugueses salvadores e vítimas, bem como a oportunidade e responsabilidade de promover os direitos fundamentais de todos os membros da família humana”.

 

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