Desde o início de novembro que parte dos alunos da Escola Secundária de Seia estão sem aquecimento, apesar de temperaturas que chegam aos 3 graus celsius. Câmara Municipal descarta responsabilidade, dizendo “ter-se tratado de uma situação imprevista”.

As falhas no sistema de aquecimento têm deixado grande parte dos alunos sem aquecimento na Escola Secundária de Seia desde o início de novembro até ao início das férias de Natal.

O Interior do Avesso falou com Ana Rita Reis, aluna de 17 anos do 12.º ano de humanidades, que nos disse que ter aulas com temperaturas baixas dificulta “a concentração e torna o ambiente muito desconfortável”.

Relatou-nos que, pela informação que os colegas lhe transmitem, metade do pavilhão C não teve os aquecedores a funcionar durante muito tempo e que o pavilhão A não tem aquecedores a funcionar. Já sobre o pavilhão M, de mecânicas, “é mesmo muito frio”, disse, apesar de ter a informação que os aquecedores já estariam a funcionar nos últimos dias.

Ao gravador de Liliana Carona, para a Rádio Renascença, ‘Marco’ diz que “o nível de concentração é totalmente diferente”, dando o exemplo da falta de aquecimento na Biblioteca. Adiantou também que o “pavilhão onde fazem exercício, em si, não tem muita proteção a nível do frio e com zonas abertas, chove lá dentro, pode haver um descuido e escorregamos na água e partimos alguma coisa. Hoje está sol, estamos melhor na rua do que lá dentro”, insiste Marco.

“Com as mangas das camisolas repuxadas até aos dedos das mãos, os alunos saem apressados da sala de aula para a rua, onde está mais calor, apesar do termómetro marcar 5 graus”, relata Liliana Carona para a reportagem da Renascença.

A aluna de humanidades com quem falámos diz que a turma dela está numa sala mais resguardada, mas sabe “de situações de amigos meus que todos os dias usam mantas para conseguirem estar minimamente confortáveis e alguns que chegaram a usar luvas para conseguir escrever”. “De resto, vamos aguentando como podemos!”, afirma.

Covid-19: Regras de Prevenção e Contenção Pioram a Situação

Para agravar os problemas estruturais e as falhas no sistema de aquecimento, a Ana Rita Reis lembra “que é importante ter em conta o facto de termos a janela aberta para que o ar circule (o que intensifica ainda mais o frio que se faz sentir na sala de aula)” e desabafa que “em dias muito frios fazemos um esforço enorme para cumprir as regras de segurança”.

Já à Rádio Renascença, ‘Marco’, disse: “Eles lá em Lisboa não se mentalizam que nós estamos na Serra da Estrela e, por causa da covid-19, temos de arejar as janelas… as salas sem aquecimento, depois mais o frio da janela e da porta é muito complicado”.

Município Acusa Ministério da Educação

A gestão deste equipamento está nas mãos do município de Seia, através dos programas de transferência de competências, conhecida por “municipalização da educação”. Apesar desta responsabilidade assumida pelo Município, dizem em comunicado datado de 14 de dezembro, 4 dias antes do fim das aulas, “ter-se tratado de uma situação imprevista e à qual o Município respondeu prontamente”. 

Apesar de dizerem ser uma situação imprevista, atiram as culpas para o Ministério da Educação, “nos poucos meses em que esta Escola se encontra sob a esfera municipal, no âmbito da transferência de competências na área da Educação, foi possível resolver inúmeras insuficiências, que o Ministério da Educação foi incapaz de colmatar nos últimos anos”.

Deixe o seu comentário

Skip to content