A última Marcha do ano foi ontem em Viseu, onde centenas de pessoas percorreram algumas ruas da cidade sob o mote “O orgulho existe, resiste e sai à rua”. Esta foi a quarta Marcha de Viseu, mais uma vez organizada por vários coletivos e pessoas através da Plataforma Já Marchavas.

Com início no Jardim Sensorial de Santo António, a Marcha encontrou-se logo com a sede do Chega em Viseu, o que despoletou espontaneamente que todas as vozes gritassem “não passarão!”.

O episódio ganha especial significado se lembrarmos que há poucos meses veio a público uma situação de agressão, motivada por razões homofóbicas, de um jovem, por parte de militantes do Chega, entre os quais o próprio candidato à Câmara Municipal de Viseu nas últimas autárquicas.

Situação referida no manifesto da Marcha, que relembra “naquela que foi considerada como capital da Homofobia em 2005, que a luta do Orgulho LGBTQIA+, a coragem de ser, existir e amar, tantas vezes descredibilizadas, discriminadas e violentadas pela sociedade heteronormativa dominante, consumada não só no dia de hoje mas todos os dias, é uma luta internacional e interseccional, tendo no seu desígnio dar visibilidade a todas as pessoas independentemente da sua orientação sexual, identidade ou expressão de género.”

A Marcha de Viseu foi uma manifestação para dizer “BASTA!”: “às micro-agressões e comentários depreciativos à identidade e integridade física de cada pessoa”; “de comportamentos discriminatórios e tratamento desigual no acesso à saúde, educação, família, trabalho, desporto, lazer, etc.”; “de tortura psicológica que leva a altas taxas de suicídio entre as pessoas LGBTI+”; “de menosprezo por parte de autoridades locais/municipais na obrigação de assinalar o repúdio e condenação dos atentados à liberdade e dignidade pessoal como aquela que recentemente assistimos em Viseu por parte de militantes do CHEGA”; “de neutralidade quando falamos de Direitos Humanos”.

Assim como para reivindicar medidas para a construção de condições de igualdade plenas, como “a execução de um plano Plano Municipal LGBTI+, a criação de redes de apoio, de diálogo e acompanhamento de pessoas que sofram dos diferentes tipos de violência LGBTI+fóbica, a implementação de ferramentas de ensino e aprendizagem de temas de saúde sexual e diversidade de género a profissionais da saúde, do ensino, da justiça e segurança civil, de forma a não alimentarem comportamentos discriminatórios e de injustiça social.”

Mas a Marcha de Viseu foi também celebração, num percurso animado e colorido, que terminou no Rossio (Praça da República), com as intervenções de Fabíola Cardoso (deputada à Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda), Rosa Monteiro (Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade), a que se seguiu a leitura do manifesto.

Remataram o alinhamento da manifestação mais colorida de Viseu atuações musicais de ativistas que integraram a organização da Marcha. Sílvia (voz) e Sara (guitarra acústica) interpretaram a “Canção de Engate” (António Variações) e “Make me feel” (Janelle Monáe). Mel cantou os temas “Crazy” (Gnarls Barkley) e “Como Nossos Pais”, de Elis Regina, numa homenagem ao seu país de origem.

O manifesto contou com mais de 100 subscrições, entre as quais se registam as dos coletivos: A Coletiva, Ação Pela Identidade, Associação ILGA Portugal, Bloco de Esquerda, Carmo’81, Climate Save Portugal, Delegação Regional do Centro – Saúde em Português, Dezanove, esQrever, GAPQ – Grupo de Apoio a Pessoas Queer, Juventude Socialista, Olho Vivo – Núcleo de Viseu, OPUS DIVERSIDADES, Mangual em Movimento, Marcha do Orgulho LGBT+ de Barcelos, Marcha do Orgulho do Porto, Panteras Rosa – Frente de Combate à LesBiGayTransfobia, PAN Viseu, PLEASUREisPOWER, Porto Inclusive, Portugal Gay, Pride Valley, Projeto Identidade, Queer Tropical, rede ex aequo – associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, trans, intersexo e apoiantes, Saber Compreender, SOS Racismo, The Revolution will not happen on your screen, Transexual Portugal, UMAR Viseu, Volt Portugal.

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