4.ª Marcha de Viseu pelos Direitos LGBTQIA+: O orgulho existe, resiste e sai à rua!

A 4.ª Marcha de Viseu pelos Direitos LGBTQIA+, sob o mote “O orgulho existe, resiste e sai à rua!”, realiza-se no próximo dia 10 de outubro de 2021, com início pelas 15h no Jardim sensorial de Santo António. Manifesto e subscrições no artigo.

O orgulho existe, resiste e sai à rua!

A escolha deste dia, 10 de Outubro, véspera do Dia Fora do Armário, internacionalmente conhecido como The Coming Out Day, para a realização da 4.ª Marcha LGBTQIA+ de Viseu, não pretende ser mera coincidência. Continuamos a ter fortes e diversas razões para sair à rua, para erguer a voz e marchar pela interseccionalidade e inalienabilidade dos Direitos Humanos.
A Plataforma Já Marchavas, movimento de cidadania e de coletivos pelos Direitos Humanos, Animais e Ambientais, uma Plataforma democrática, inclusiva e participativa, pretende celebrar neste dia a coragem de todas as pessoas que escolhem ser quem são num mundo avesso à diversidade e à diferença, e a coragem de quem vive em ambientes de preconceito e discriminação, resistindo contra eles. Pretende, também, relembrar e vigiar os abusos de uma extrema-direita cada vez mais presente não só na Europa, não só em Portugal, mas também na cidade de Viseu.
Pretendemos relembrar, naquela que foi considerada como capital da Homofobia em 2005, que a luta do Orgulho LGBTQIA+, a coragem de ser, existir e amar, tantas vezes descredibilizadas, discriminadas e violentadas pela sociedade heteronormativa dominante, consumada não só no dia de hoje mas todos os dias, é uma luta internacional e interseccional, tendo no seu desígnio dar visibilidade a todas as pessoas independentemente da sua orientação sexual, identidade ou expressão de género.
De Viseu para o mundo, pretendemos recordar que os trilhos perigosos do passado continuam a ser uma ameaça no presente e no futuro. Que o ódio e a opressão resistem à tolerância e diversidade, às diversas formas de amor e, enquanto assim for, a liberdade democrática legada nos 47 anos de Abril continuará comprometida. Que não só as atuais gerações como as vindouras permanecerão amordaçadas pelas implicações das formas de violência sistémica.
Num ano marcado pelos efeitos de uma pandemia com consequências nefastas além fronteiras, que nos obrigou ao cumprimento de regras de segurança geradoras de uma crise económica e social sem precedentes, as pessoas em situação de vulnerabilidade social foram afetadas de especial forma provando que a luta pelos direitos LGBTQA+ é mais necessária que nunca.
A organização desta 4.ª edição da Marcha de Viseu, consciente do isolamento a que muitas pessoas LGBTQIA+ estão frequentemente sujeitas no interior, especialmente neste ano marcado pelo distanciamento e isolamento profilático, pretende, assim, dar visibilidade a todas as pessoas que se viram obrigadas a viver em ambientes familiares hostis, às vítimas de violência no namoro e de violência doméstica, a quem perdeu o seu trabalho e por carência económica passou a viver em situação de sem-abrigo, a profissionais do sexo, setor uma vez mais marginalizado pela insuficiente ou inexistente proteção social no nosso país.
Salientamos o importante papel dos Movimentos Ativistas pelos Direitos Humanos na conquista de direitos no país, do esforço e da luta de tantas pessoas que lutaram para que hoje Portugal seja considerado como dos países mais “Gay Friendly” da Europa e do Mundo, ainda que, com fragilidades no cumprimenro destes direitos. De todas as pessoas que através da sua resiliência continuam a digladiar-se contra mentalidades conservadoras e hostis, no trabalho, na saúde, nas escolas, em casa, e que, por motivos excepcionais, se viram obrigadas a adiar ou a cancelar a luta coletiva, na rua.
Através deste Manifesto, pretendemos repudiar e combater os discursos de ódio. Reivindicamos a luta pela liberdade de expressão; a criação de condições de igualdade plena; a exequibilidade da Moção Municipal para a Criação de um Plano Municipal “Viseu Zona de Liberdade LGBTI+” que não se fique apenas pela sua promessa, mas que seja efetivamente cumprida; a criação de redes de apoio, de diálogo e acompanhamento às pessoas que sofram dos diferentes tipos de violência LGBTI+fóbica no interior; a implementação de ferramentas de ensino e aprendizagem de temas de saúde sexual e diversidade de género a profissionais da saúde, do ensino, da justiça e segurança civil, de forma a não alimentarem comportamentos discriminatórios e de injustiça social.
Dizemos BASTA!
BASTA! às micro-agressões e comentários depreciativos à identidade e integridade física de cada pessoa;
BASTA! de comportamentos discriminatórios e tratamento desigual no acesso à saúde, educação, família, trabalho, desporto, lazer, etc.
BASTA! de tortura psicológica que leva a altas taxas de suicídio entre as pessoas LGBTQIA+;
BASTA! de menosprezo por parte de autoridades locais/municipais na obrigação de assinalar o repúdio e condenação dos atentados à liberdade e dignidade pessoal como aquela que recentemente assistimos em Viseu por parte de militantes  do CHEGA!;
BASTA! de neutralidade quando falamos de Direitos Humanos!
Em Viseu e em todo o mundo: a resposta será o amor e a tolerância, nunca o ódio e a opressão! O orgulho existe, resiste e sai à rua!

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A Plataforma Já Marchavas é um movimento de cidadãs/ãos e de colectivos unidos na defesa de direitos Humanos, Ambientais e Animais.
O projecto Já Marchavas nasceu em maio de 2018 em Viseu reunindo sinergias diversas. Ainda em 2018 o projecto Já Marchavas levou mais de mil pessoas a participar na 1a Marcha pelos Diretos LGBTI+ em Viseu, denominada por alguns como a Marcha do Amor. A Plataforma Já Marchavas surgiu no ambiente pós-marcha concretizando a cooperação do projecto inicial e dando-lhe continuidade para outras causas comuns. Em Dezembro a Plataforma passou a integrar a Rede 8 de Março.

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