Denúncia de assédio e violação do direito à greve pelo ICNF chega ao Governo

Vigilantes da Natureza
Vigilantes da Natureza
Foto por ICNF | Facebook
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) terá sido responsável por violações dos direitos laborais dos trabalhadores, visando condicionar o direito à greve e à liberdade sindical. O Bloco de Esquerda já questionou o Governo sobre o assunto.

Está em causa a alteração do local de trabalho de uma vigilante da floresta por decisão unilateral da Direção Regional da Conservação da Natureza e Florestas do Norte. A alteração implicaria que a trabalhadora passasse a desempenhar funções a mais de 100km da sua residência. 

Tal aconteceu “sem qualquer comunicação escrita, em claro incumprimento do disposto no artigo 93.º e seguintes da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas”, pode ler-se na pergunta submetida pelo Bloco ao Ministério do Ambiente e da Transição Energética.

A decisão de mobilidade aconteceu depois de a trabalhadora ter comunicado que iria aderir à greve que teve início no passado dia 1 de julho, convocada pelo Sindicato Nacional da Proteção Civil (SNPC).

Esta trabalhadora é também delegada sindical e, segundo a pergunta, “já não terá sido a primeira vez que sofreu pressões, por parte das chefias, no sentido de limitar o exercício dos seus direitos laborais, com reflexo evidente na deterioração das relações estabelecidas com os outros trabalhadores, sendo perspetivada por estes como um problema para a toda equipa.”

O SNPC já enviou mesmo uma comunicação à Direção Regional da Conservação da Natureza e Florestas do Norte dando nota dos contornos gravíssimos desta situação.

O exercício do direito à greve está consagrado na constituição e, defende o Bloco, “não pode continuar a ser acompanhado de represálias, colocando em causa, a vida profissional e familiar”, acrescentando ser “necessário travar, quer os abusos da legislação laboral, quer formas de intimidação sobre os trabalhadores que condicionem o seu direito à greve”.

A pergunta assinada pelos deputados Ricardo Vicente e José Soeiro, destaca que neste caso cabe ao Governo garantir que esta trabalhadora, a exercer funções num Instituto Público que pertence à administração indireta do Estado, “não é alvo de assédio no seu local de trabalho, por forma a restringir o exercício dos seus direitos laborais e constitucionais.”

Neste seguimento, o Bloco dirige 4 perguntas ao Governo:

  1. Tem o Governo conhecimento desta violação grosseira do direito à greve protegido constitucionalmente, por parte do ICNF? Que ações inspetivas foram desenvolvidas no que diz respeito à tentativa de pressionar a trabalhadora ao não exercício legítimo dos seus direitos?
  2. Com que enquadramento está a ser utilizada mobilidade geográfica como retaliação?
  3. O ICNF dispõe de código de boa conduta para a prevenção e combate ao assédio no trabalho? 
  4. Vai o Ministério instaurar um processo disciplinar a este dirigente que está a cometer assédio moral contra esta trabalhadora?

 

SNPC faz proposta de revisão da Carreira Profissional dos Vigilantes da Natureza

SNPC questionou o ICNF sobre “qual o papel que afinal tem um Vigilante da Natureza”, mas continua sem resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Related Posts
Foto da reportagem "As cartas que nunca escrevi" de Sara de Melo Rocha. TSF.
Ler Mais

Reportagem TSF sobre projeto da CooLabora vence Prémio APAV

"As cartas que nunca escrevi. Os silêncios das sobreviventes da violência doméstica", foi distinguida com o Prémio APAV para o Jornalismo 2021. O trabalho visita uma das oficinas de escrita autobiográfica que todas as semanas se realizam na Covilhã.
Ler Mais

Radiografias Concelhias: Santa Comba Dão

Foto por Tschubby – Own work, CC BY-SA 3.0, https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1d/Kreis_Santa_Comba_D%C3%A3o_2020.pngSanta Comba Dão é um concelho pertencente ao distrito…
Skip to content