A aposta no regadio no Vale do Tejo e Oeste, com o Projeto Tejo, “agravará os problemas no Tejo, especialmente num contexto de crise climática. Precisamos de um Tejo limpo, vivo e livre para o futuro”, referiu Fabíola Cardoso, deputada do Bloco, numa audição ao Ministro do Ambiente. 

Na audição ao Ministro do Ambiente no âmbito da discussão em especialidade do Orçamento do Estado para 2021, a deputada do Bloco de Esquerda, Fabíola Cardoso, começou por abordar a Convenção de Albufeira, “já que no relatório do Orçamento deste ano, como em 2020, o Governo afirma ser necessário um «aprofundamento» da Convenção para garantir caudais diários nos rios transfronteiriços, mas também refere que, e cito, «encontra-se prevista a execução de um estudo de viabilidade para a construção de uma solução de armazenamento com vista à regularização do regime de caudais do Tejo”. 

Fabíola Cardoso acredita que esta “solução de armazenamento” corresponde à “nova/velha barragem no rio Ocreza, que agora se demarca, no dizer do senhor Ministro, da produção hidroelétrica, mas poderá ter outros usos secundários” e acrescentou que “apesar de declarações do senhor Ministro, a informação a respeito da barragem no Ocreza continua a ser escassa. Desconhece-se a localização exata, os impactes ambientais e os «usos secundários»”.

A deputada criticou a aposta no regadio intensivo, já que “é uma prioridade para a senhora Ministra da Agricultura”. “Já foi lançado o concurso para avaliar o potencial hidroagrícola do Vale do Tejo e Oeste, através do regadio, o chamado Projeto Tejo. A aposta maciça no regadio é um erro grave que agravará os problemas no Tejo, especialmente num contexto de crise climática. Precisamos de um Tejo limpo, vivo e livre para o futuro”, afirmou Fabíola Cardoso. 

Finalmente, deixou duas questões ao Ministro do Ambiente: “Como se relaciona a construção de uma nova barragem no rio Ocreza com o Projeto Tejo e como pretende o Governo compatibilizar o objetivo europeu de renaturalização de 25 mil quilómetros de rios até 2030 (através da remoção de barragens e açudes) com a construção de mais barreiras nos rios da bacia hidrográfica do Tejo?”. 

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